Jovem Crente: Atitudes que falam pelo coração - No mundo, mas não do mundo

Atitudes que falam pelo coração - No mundo, mas não do mundo


Você já parou pra pensar que existem alguns momentos na vida em que dizemos e fazemos coisas que nunca imaginamos que faríamos? Um belo exemplo disso aconteceu comigo no mês passado. Eu e meu marido havíamos acabado de voltar da nossa lua de mel e, como todo recém-casado, ainda faltavam algumas coisas por fazer em nossa casa. Uma delas era colocar um espelho no banheiro. Passamos semanas tentando fazer tarefas simples, como pentear o cabelo e fazer a barba, usando somente um espelho que tínhamos em outro cômodo. Não era o ideal, mas dava pra sobreviver. Até que,enfim, resolvemos fazer orçamentos e finalmente comprar o tão sonhado espelho. Escolhemos um espelho intermediário, que estava dentro do nosso orçamento e cuja loja nos passou confiança. Marcamos a data da instalação e esperamos ansiosos. No dia, desmarcamos compromissos, reorganizamos nossa agenda, fizemos de tudo para conseguir receber o pessoal da loja no horário combinado. E então esperamos, esperamos, esperamos e... nada. Nenhuma ligação, nenhum aviso. Simplesmente não apareceram. O episódio ainda se repetiu por mais três ou quatro vezes e as tentativas frustradas de marcar a instalação já estavam me deixando impaciente. Até que, furiosa, liguei para a loja e falei em tom áspero com o vendedor, ameaçando expô-los em todas as redes sociais e ir ao PROCON se preciso (eu nem sabia se isso era caso de PROCON, mas acho que o vendedor não percebeu isso!). No dia seguinte, o espelho foi rapidamente instalado. 

Quem me conhece sabe que é difícil me ver perder as estribeiras a ponto de mudar o tom da voz com alguém que eu nem conheço. Mas esse dia chega pra todo mundo e cada um sabe onde seu calo aperta. Tudo isso me fez pensar sobre o quanto as situações revelam o nosso caráter. Quando as coisas estão bem e tranquilas é fácil falarmos sobre perdão, longanimidade, domínio próprio, misericórdia e amor, mas são as situações da vida, e nossas reações a elas, que revelam de fato o que está em nosso coração. Veja bem, eu não estou dizendo que o vendedor agiu corretamente ao não aparecer no dia combinado e nem sequer avisar, longe disso. Ele estava errado e, certamente, ele irá lidar com as consequências disso - como a perda de um cliente, por exemplo. Mas eu também terei que lidar com os erros da minha atitude. Afinal de contas, um erro não justifica outro erro. E eu, como cristã, jamais deveria ter respondido o homem daquela maneira (mesmo que lá no fundo eu pensasse que ele merecia). Por mais que ele estivesse errado, minha resposta a essa situação revelou um coração irado, com excesso de justiça própria e falta de amabilidade e paciência. Bem diferente do que deveria ser como cristã. Meu dever é seguir a Cristo e aprender com seus ensinamentos e atitudes, buscando ser como ele em tudo o que eu fizer. Então eu te pergunto, em uma escala de zero a dez, quanto eu estava parecida com Jesus naquela situação? 

A Bíblia nos diz em 2 Timóteo 2 para fugirmos "dos desejos malignos da juventude e [seguirmos] a justiça, a fé, o amor e a paz, com aqueles que, de coração puro, invocam o Senhor" (v. 22) e também para evitarmos "as controvérsias tolas e inúteis, pois [nós sabemos] que acabam em brigas" (v. 23). Por fim, ela nos alerta: 

"Ao servo do Senhor não convém brigar mas, sim, ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente. Deve corrigir com mansidão os que se lhe opõem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento, levando-os ao conhecimento da verdade, para que assim voltem à sobriedade e escapem da armadilha do Diabo, que os aprisionou para fazerem a sua vontade" (2 Timóteo 2.24-26). 

Tendo esse versículo como base, vamos dificultar um pouquinho nossa enquete. Em uma escala de zero a dez, o quanto você tem se parecido com Jesus nas situações do dia a dia? Pense no trânsito, no trabalho, na faculdade, em casa. Pense na sua relação com seus pais, irmãos, namorado (a). Pense nas tarefas domésticas, nas responsabilidades. Pense nas eleições. Será que temos nos apresentado a Deus como obreiros que não têm do que se envergonhar, como diz 2 Timóteo 2.15? Será que temos evitado conversas inúteis e profanas (2 Timóteo 2.16) e, ao invés disso, dado lugar a pensamentos santos, puros, justos, honestos, amáveis e de boa fama (Filipenses 4.8)?

Se você de fato entende o cristianismo, vai saber que a resposta é não. Infelizmente, não são raras as vezes em que nos vemos fazendo coisas inimagináveis. Seja um xingamento, uma briga, palavras malditas ou ditas fora de hora, atitudes ou falta de atitudes. Podemos fingir bem que vivemos em um comercial de margarina e até ir levando a vida como "alguém comum", mas algumas situações são capazes de revelar o nosso coração pecador e evidenciar nossas tendências egoístas, invejosas, ciumentas, impuras, odiosas, facciosas e libertinas. Mas, tudo isso se torna como poeira quando olhamos para o alto e nos lembramos da possibilidade que Cristo dá de nos arrependermos e nos rendermos aos seus pés em busca de mudança. Eu, por exemplo, não posso mudar o coração daquele moço, mas eu posso me arrepender e rogar a Deus para que mude o meu. Da mesma forma, ele nos chama diariamente ao arrependimento sincero e a uma mudança de atitudes que, de fato, o evidencie em nossas vidas. 

Por fim, é preciso lembrar que uma mudança de coração também leva a uma mudança de mente. Quando nos voltamos para o Senhor, entendemos e temos a convicção de ter uma missão que vai muito além desta vida. Nossos esforços deixam de ser focados no aqui e no agora e passamos a militar em prol daquele que nos dá a salvação. Afinal de contas, "nenhum soldado se deixa envolver pelos negócios da vida civil, já que deseja agradar aquele que o alistou" (2 Timóteo 2.4). Então, deixamos nossas antigas atitudes pecaminosas de lado para viver uma vida de constante arrependimento e submissão a Deus. Nossos olhos, agora fitos em Cristo, vislumbram uma vida próxima do Salvador e nosso viver passa a ser um constante lembrete de que nossa esperança não se resume à vida aqui (1 Coríntios 15.19).


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