Jovem Crente: Feitos para servir - Ser Membro

Feitos para servir - Ser Membro



Durante a caminhada desta nova série, vamos entender um pouco o que significa ser um membro do corpo de Cristo. Como você já deve saber, ser parte do corpo de Cristo significa, de forma resumida, que você entrou para a igreja, uma família espiritual da qual fazem parte todas as pessoas, em todas as épocas, que creram em Cristo como seu único e suficiente Salvador.

Ou seja, ser membro do corpo de Cristo significa que você faz parte da igreja, a família de Deus. E, como toda família, os membros dela existem para se relacionar, para se amar, para servir, e tantas outras funções. Esta ideia de que somos membros deste corpo parece ser difícil de ser compreendida. Por conta disso, vamos falar nesta série sobre como isto se torna prático para você como filho de Deus. O texto de hoje mostra que um membro do corpo de Cristo foi feito para servir. Vamos dar uma lida no começo de Romanos 12.1-8:

“Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. 

Cristãos devem viver como sacrifício para Deus

Os versos 1 e 2 do capítulo 12 são o resumo de toda a vida cristã. Quando começa dizendo “Portanto...pelas misericórdias de Deus...rogo-vos que se ofereçam como sacrifício...”, Paulo está apontando para a única e suficiente motivação para a obediência: a gratidão pela graça de Deus.

No Antigo Testamento os sacerdotes costumavam, de forma bastante resumida, fazer dois tipos de sacrifícios: 1) Os sacrifícios pelos pecados, os quais eram feitos com derramamento de sangue e 2) Os sacrifícios de oferta, que requeriam o sacrifício de um animal perfeito. Paulo aqui está lembrando do segundo tipo de oferta, uma vez que o primeiro foi completado e consumado por Cristo.

Ao pedir que sejamos sacrifícios, como eram os animais perfeitos, Paulo está mostrando que nossa vida – e, portanto, nossa obediência grata – devem ser entregues totalmente a Deus. Da mesma forma como no sacrifício era dado o melhor animal nós também damos tudo o que temos para Deus e não os restos. A vida para Deus e a obediência tem um custo: tudo o que somos e temos. Se tornar um sacrifício vivo significa estar totalmente à disposição de Deus. Significa estar disposto a, em qualquer área da vida, obedecer ao que Deus diz e ser grato por qualquer coisa que Ele permite em minha vida.

Uma vez que você tem a correta compreensão da misericórdia e da graça de Deus, apenas a sua total e completa entrega sacrificial em obediência a Deus é a resposta correta ao que Ele fez.

Viver como sacrifício para Deus significa servi-lo na igreja 

Veja o que o restante do texto diz: “Pois pela graça que me foi dada digo a todos vocês: ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, pelo contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu. Assim como cada um de nós tem um corpo com muitos membros e esses membros não exercem todos a mesma função, assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros”.

Devemos viver nos sacrificando, como vimos anteriormente. E isto significa, entre outras coisas, servir a Deus. Mas, perceba que antes de falar de dons (v.6-8) Paulo fala sobre quem somos e sobre sermos membros de um corpo. E isto é muito importante.

Por um lado, no verso 3, Paulo diz que não devemos ter um conceito elevado acerca de nós mesmos, mostrando que o egocentrismo e o orgulho sempre fizeram parte do problema do coração do homem. Devemos entender que por mais capazes e corretos que possamos aparentar ser, nada disso deve produzir algum tipo de orgulho.

Por outro lado, no mesmo versículo, Paulo diz que o crente deve ter um conceito equilibrado de si mesmo. A palavra utilizada por Paulo literalmente significa “ver-se a si mesmo sobriamente”. Estar sóbrio significa ser preciso e estar em contato com a realidade quando olhamos para nós mesmos.

Veja, Paulo em momento nenhum diz: seja humilde. Embora saibamos que devemos ser humildes o tempo todo, não é isto que Paulo diz aqui. Por que? Porque a intenção de Paulo é mostrar que a transformação da mente de alguém que vive para total obediência de Deus produz uma visão equilibrada acerca de si mesmo. Sabemos que isto é verdade, mas parece ser difícil colocar isto em prática.

É aí que, como já sabemos, o evangelho mais uma vez se torna prático. Paulo nos mostra como isso pode acontecer com a expressão: “de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu”. A palavra usada por Paulo como “medida” quer nos mostrar que o que nos mede, isto é, nos nivela, é a fé no evangelho. É esta fé em Cristo, e o olhar em Cristo, que nos levam a produzir uma visão correta acerca de nós mesmos. Isto acontece de duas formas.

Uma primeira medida que o evangelho nos propõe é a medida de que, segundo o evangelho, somos todos iguais. O evangelho previne que pensemos de forma orgulhosa sobre nós mesmos porque nos lembra que somos todos pecadores, que nossas atitudes nunca foram suficientes, e somos dependentes do agir do nosso Salvador.

Mas, uma segunda medida proposta é a de que, pelo evangelho e em Cristo, somos diferentes. No corpo de Cristo somos diferentes com relação aos dons e habilidades que temos para servir. Somos criaturas com diferentes personalidades, temperamentos, histórias e habilidades, que nos equipam para servir de formas diferentes a Deus e ao corpo. É por isso que Paulo, nos versos 4 e 5 traz à tona a ideia de membros e corpo. Fazemos parte um mesmo corpo, o que nos faz iguais. Mas, somos diferentes tanto em personalidade quanto em dons recebidos para servir.

Viver como servo na igreja significa descobrir e usar seus dons 

Olhe como Paulo finaliza seu raciocínio: “Temos diferentes dons, de acordo com a graça que nos foi dada. Se alguém tem o dom de profetizar, use-o na proporção da sua fé. Se o seu dom é servir, sirva; se é ensinar, ensine; se é dar ânimo, que assim faça; se é contribuir, que contribua generosamente; se é exercer liderança, que a exerça com zelo; se é mostrar misericórdia, que o faça com alegria”.

Para que possamos cumprir a excelente tarefa de servir Deus nos concede dons. Dom é uma capacidade ou habilidade dada por Deus, como o texto diz. Isto significa que um dom é diferente de uma habilidade ou capacidade natural desenvolvida por alguém. Uma pessoa pode nascer extremamente talentosa para música, artes, futebol, oratória, matemática. Esta habilidade é vista desde que a criança começa a se desenvolver e, de fato, é desenvolvida ao longo de sua vida. Um dom é uma capacidade dada pela graça de Deus, com o agir do Espírito Santo, para que um cristão possa servir. Isto significa que dom só tem quem é salvo pela graça.

Quando um crente serve usando seu dom ele se sente útil ao ver o corpo crescendo e tudo isto redunda em glória a Deus. Portanto, dom é esta capacidade dada por Deus, no momento da salvação, realizada pelo Espírito Santo, pela graça, para que o cristão possa servir visando sua utilidade no reino, o crescimento da igreja, e a glória de Deus.

Um estudo mais profundo sobre dons pode ser interessante de ser feito. Existem listas de dons em Romanos, Coríntios e Efésios. Podemos resumir a lista de Romanos em três áreas:

- Dons de fala: Profecia, Ensino, Exortação, Conhecimento;

- Dons de liderança: Governo, Administração, Sabedoria;

- Dons de serviço: Contribuição, Misericórdia, Hospitalidade e outros.

Você, como membro do corpo de Cristo, recebeu um dom para, em gratidão pela salvação, servir como um sacrifício vivo a Deus. Parte da sua vida agora deve ser comprometida com o serviço ao Senhor e à sua igreja. Afinal, você é parte importante dela e, por ter dom e personalidade diferentes dos seus irmãos, é útil.

Como posso servir usando meus dons? 

Quero terminar te dando três passos práticos:

1) Examine-se a si mesmo. No verso 3, Paulo chama todo crente a olhar para si com equilíbrio. Isto inclui os dons. Olhe para seu coração e pergunte-se: o que me daria prazer de fazer? O que eu gostaria de fazer no serviço à igreja? Quais problemas e necessidades eu mais noto no corpo de Cristo? É possível que aquilo que você mais vê como necessidade na igreja seja a área onde vai servir.

2) Estude a lista de dons. Paulo faz esta e outras duas listas com a intenção de criar um inventário de dons a serem executados na igreja. É impossível saber como servir se não conheço os dons a serem usados. Leia livros, peça ajuda para quem conhece mais, talvez seu pastor ou discipulador.

3) Experimente usar seus dons. No verso 6, Paulo diz que devemos usá-los. Você não conhecerá seus dons antes de ministrar. Você os conhecerá enquanto serve. À medida em que conhece o dom, você se dispõe, serve, e o faz cada vez mais, de forma grata, sem reclamar do dom dado por Deus. O que Ele te deu, te deu para servir. Vá, faça, sirva para a glória de Deus e para o crescimento dos irmãos.


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