Jovem Crente: Cuidado boquinha o que fala

Cuidado boquinha o que fala



“A boca é minha e eu falo o que quiser”. Talvez com versões mais atualizadas dessa expressão, estamos acostumados com esse tipo de conceito que defende o direito de falarmos nossa opinião. Essa máxima apoia a ideia de que devemos expressar aquilo que pensamos, ainda que sem muito critério. Socialmente é bem aceitável que você fale o que quiser sem muito filtro (claro, desde que você lide com as consequências e oposições daquilo que decidiu falar) mas, não é assim para os padrões de Deus. A Bíblia está repleta de advertências para nossos pecados da língua.




Nesse assunto, lembro de uma musiquinha que aprendi quando criança: 

Cuidado boquinha o que fala 
Cuidado boquinha o que fala 
O nosso Criador está olhando pra você 
Cuidado boquinha o que fala¹

A verdade é que dentro do Reino de Deus, para aqueles que foram transformados por Jesus, há um padrão que devemos perseguir (2Coríntios 5.17; Efésios 4.1), realidade essa que afeta inclusive nossa comunicação. Por isso, quero levantar aqui alguns cuidados que visam a reflexão sobre os melhores usos para nossa língua, e como é realmente termos papas na língua. 


CUIDADO PRA NÃO FALAR O QUE NÃO DEVE 


“Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês (…)” 
Efésios 4.29a 

O verso acima começa com uma expressão muito importante: “nenhuma palavra” ou “não saia” em outras versões. Aqui já sabemos que a prática decorrente da nossa vocação em Cristo, fruto da transformação que ele opera em nós, é lidar com uma proibição. E o que é proibido? É vetado a nós o uso de palavras torpes, ou seja, aquilo que é podre, impróprio, corrompido e de má qualidade. 

Mas realmente nem sempre percebermos como a nossa comunicação é marcada por falar o que não deve. Por isso, quero ser bastante direto: de maneira prática, a proibição absoluta aqui é para que nossa conversa não contenha palavrões, obscenidades, fofocas, sarcasmos, críticas, grosserias, etc.² (Isso vale também pra maneira como usamos nossas redes sociais, tá?). Realmente tem muita coisa que dizemos que não é para transmitir graça aos que ouvem. Fico pensando como muitas vezes as minhas conversas, brincadeiras, postagens e opiniões não se parecem com Cristo Jesus. Sendo assim, saiba que tem algumas coisas que não devemos falar! 

CUIDADO PRA NÃO FALAR COISAS INÚTEIS 

“Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua.” 
Romanos 14.19

Ser um servo de Jesus agradará a Deus mas também afetará nosso relacionamento com as pessoas que nos cercam. Assim, uma das aplicações do nosso empenho em cultivar relacionamentos saudáveis para a glória de Deus é sermos promotores de tudo que conduz a paz e a edificação. Ou seja, o alvo que devemos perseguir, o caminho que devemos percorrer com nossa comunicação é um caminho de edificação. 

Edificação nos lembra construções. O que Paulo está dizendo em Romanos 14.19 é que a maneira como vivemos, inclusive como nos comunicamos, deve ser útil de maneira que construa coisas e não seja motivo de destruição. Nós temos o privilégio de fazer parte da obra que Deus está fazendo. Nesse processo podemos ser bons construtores, que cada dia mais colocam tijolos nos lugares corretos, ou demolidores, que tentam destruir o que já foi construído. 

As pessoas a sua volta são encorajadas por você? Seus amigos se sentem mais motivados a conhecerem o Senhor depois de uma conversa contigo? Você se lembra de alguém dizer que lembra de um bom conselho seu? Ou o que sobra das suas conversas são assuntos inúteis? São conversas que não levam ninguém pra lugar nenhum? Nós temos o privilégio de, enquanto estamos sendo transformados por Deus, ajudarmos outras pessoas. Sendo assim, saiba que o que você fala pode ser ferramenta do Senhor pra ajudar alguém. 

CUIDADO PRA NÃO REAGIR MAL 

"Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não os amaldiçoem.” 
Romanos 12.14 

“A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira” 
Provérbios 15.1

A maneira como falamos diante das provocações (tentações) demonstra onde realmente está firmado o nosso coração. Talvez não seja grande o desafio para você não falar o que não deve mas certamente já se percebeu reagindo a alguém que lhe disse algo que você não gostou de ouvir. Todos nós, por causa da nossa natureza, somos reativos em alguma medida. Por isso precisamos do controle do Espírito. 

Os dois versículos são claros sobre a possibilidade de que alguém nos persiga ou mesmo que nos trate de maneira ruim. Certamente você tem uma lista de momentos em que alguém, com o semblante, te ofendeu, que falou algo que te machucou, que tentou de derrubar ou que falou de você aos outros. Ainda assim a realidade da provocação não nos libera para reagir mal: usar mal o tom de voz, ofender, falar mal para outros, menosprezar, maltratar, ser impaciente ou até mesmo ignorar. 

Sendo assim, devemos estar sempre alertas para aquilo que falamos (ou expressamos) se é algo que é realmente necessário, útil e baseado na graça de Deus, inclusive quando reagimos aos outros. 

Concluindo, lembre-se que a boca é apenas por onde transborda nosso coração (cf. Lc 6.45). Se seus lábios estão longe de Deus não parece ser também uma demonstração do seu distanciamento do Senhor? A única maneira de purificar verdadeiramente seu coração (e por consequência aquilo que você fala) é pela obra regeneradora do Espírito que habita naqueles que colocam sua fé em Jesus. 

Saiba também que ser um comunicador eficaz não é algo imediato mas também faz parte do processo de santificação que começou em nós quando entregamos nossa vida a Jesus. Por isso precisamos desenvolver esse bom hábito, esforçando-se em pratica-lo. 

Cuide do seu coração, cuide da sua língua, se arrependa, persevere e esforce-se para viver para a glória de Deus, pois “o nosso Criador está olhando pra você”. 

“Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis a ti, Senhor, minha Rocha e meu Resgatador!” Salmos 19.14



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¹  Pra você que também conhece a música segue o link para cultivar a nostalgia - Turma do Cristãozinho - Cuidado olho, boca, mão e pé
² Veja o capítulo de “PECADOS DA LÍNGUA” em BRIDGES, J. Pecados intocáveis São Paulo: Vida Nova, 2012 

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