Jovem Crente: A separação que nos uniu

A separação que nos uniu


“Por volta das três horas da tarde, Jesus bradou em alta voz: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?”, que significa “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?”
Mateus 27.46

Esse tema é muito rico e edificante para a fé cristã, porém a falta de compressão do propósito correto tem feito com que muitos cristãos não compreendam o valor e o resultado dessa separação. Entretanto, antes de aprofundar o tema, é necessária uma compressão maior a respeito de alguns fatos da narrativa bíblica.


Quando lemos ou estudamos o Antigo Testamento, encontramos histórias como as de Adão e Eva (Gn 3), o Dilúvio (Gn 6-8), Babel (Gn 11), a punição dada a Moisés por conta do seu pecado (Nm 20), etc. Com certeza, em algum momento diante dessas histórias, você já achou algumas dessas punições duras demais ou talvez até injustas.

Diante desse dilema, lembro-me da frase do professor Carlos Osvaldo: “um Deus justo, que pune em justiça e restaura em amor”. Todos esses relatos do Antigo Testamento nos enfatizam esse conceito, temos um Deus santo e justo que julgará o pecado e que tem como propósito restaurar em amor. Deus trabalha na história com o propósito de resgatar pessoas e histórias para sua glória. Porém, ele não fará isso a qualquer custo ou a par do seu padrão santo. Antes de tudo, ele sempre buscará nos separar do pecado que nos separa dele.

Esse conceito também é encontrado no Novo Testamento. Paulo escreve claramente pedindo à igreja que se afaste e “entregue a Satanás” aquele que vivia em imoralidade deliberada dentro da comunidade em Corinto (1Co. 15.1-13).

Com isso em mente, entendemos que a separação entre o Pai e o Filho se dá por conta do peso do pecado que Cristo carregava em nosso lugar. Isaias 53 nos ajuda a compreender melhor o peso que se encontrava sobre Cristo: “Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada havia em sua aparência para que o desejássemos” (v.2b). “Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades” (v.4a). “Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa da nossa iniquidade;” (v.5a). O peso de todo o nosso pecado e iniquidade estava sobre Cristo. “Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus” (2Co 5.21). O fato é que tal peso fez com que Cristo experimentasse a separação de Deus, causada pelo pecado.

Vemos que o abandono de Cristo na cruz do Calvário consiste na maior prova do amor de Deus por nós, pois ele nem mesmo a seu Filho poupou. O desamparo foi real e o clamor foi autêntico quando Jesus, em obediência ao Pai, bebeu o cálice da agonia (Mt 26.39) e passou pelo sofrimento físico, mas, principalmente, ao experimentar a separação do Pai, demonstrando humildade e identificação plena com o homem, separado de Deus pelo pecado.

Vale a pena enfatizar que, mesmo carregando o peso do pecado e se fazendo pecado em nosso lugar, Cristo não pecou e isso valida o conceito de Cristo como o nosso sumo sacerdote: “Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o filho de Deus, apeguemo-nos com toda firmeza a fé que professamos, pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém sem pecado” (Hb 4.14-15).

Assim, chegamos ao valor principal dessa separação. De fato, vimos que Deus pune e não se une ao pecado, tanto no Antigo como no Novo Testamento e até mesmo na pessoa de Cristo. Porém, nosso Deus nos restaurou da separação que existia entre o homem e ele, isso para aqueles que compreenderam a aceitaram a obra redentora de Cristo. O sacrifício de Cristo produziu a restauração que o homem precisava. E, por conta disso, hoje podemos, em Cristo, viver em paz com Deus. Isso é algo lindo: eu, um pecador totalmente corrompido, através de Cristo, tenho o relacionamento restaurado com Deus. Essa ideia também é enfatizada em Isaias 53: “o castigo que nos trouxe a paz” (v.5). “Depois do sofrimento de sua alma, ele verá a luz e ficará satisfeito; pelo seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos e levará a iniquidade deles” (v.11).

Independentemente da dor, do sofrimento da alma e da separação de Deus Pai, Cristo ficará satisfeito ao ver o seu sacrifício como oferta definitiva pelo pecado e levando muitos (inclusive nós!) à justificação diante dele. E para que toda essa linda história acontecesse, era necessária a separação entre Deus Pai e o pecado que Cristo carregou na cruz.

Que essa compreensão te leve a uma vida mais santificada, a uma busca diária por viver separado do pecado e a uma valorização do que Cristo fez por nós.

Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver, transmitida por seus antepassados, mas pelo preciso sangue de Cristo, como de um cordeiro, sem mancha e sem defeito
1Pedro 1.18-19










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