Jovem Crente: 4 sinais de que você é orgulhoso – Parte I

4 sinais de que você é orgulhoso – Parte I


Há alguns anos me descobri uma pessoa orgulhosa. Eu não queria admitir, óbvio, mas era fato, e chegou uma hora que não dava mais para negar. Depois de tentar me justificar de diversas maneiras ao dizer: “eu não me acho melhor do que os outros, é só que eu tenho o meu jeito de fazer as coisas” ou “eu não tenho problemas em pedir perdão, mas nesse caso eu não estou errada!” e com tantas outras desculpas, a Palavra de Deus começou a penetrar no meu coração e apontar que existia uma pessoa orgulhosa ali e que já estava na hora de admitir, confessar e mudar. 



Assim como eu, você pode afirmar que é orgulhoso. Ou talvez não, talvez pense que esse texto não é para você, sempre foi muito fácil dividir suas coisas, doar tempo para as pessoas à sua volta, pensar antes nos outros que em você, etc. Talvez você sempre tenha feito isso com muita naturalidade. Bom, meus parabéns, mas esse não é o meu caso. E somente depois de muita reflexão e muitos "tapas na cara", descobri que era necessário admitir meu orgulho e que eu precisava do Senhor para me transformar. Com isso, descobri algumas coisas sobre o orgulho que gostaria de compartilhar com vocês, listando alguns sinais que mostram como muitas vezes convivemos tão bem com o orgulho sem perceber.
1. Acho meu orgulho tolerável
"Claro que o pecado tem graus de seriedade, mas em última análise, pecado é pecado. É uma conduta inapropriada a santos." [1]. Pois é. Há algumas semanas me deparei com essa frase e percebi que eu não tinha a consciência de que meus pequenos pecados desagradavam a Deus. No fundo, eu sabia que eu era pecadora, mas esse fato não me incomodava, pois pensava que o pecado dos outros era sempre maior. Assim foi com o orgulho, eu sabia que eu era orgulhosa, mas quem não é? E tem muita gente pior do que eu, não é mesmo? E aquele meu amigo que engravidou a namorada? Pecado é pecado! Mesmo que meu orgulho não fosse algo tão visível, ele não só desagradava as pessoas à minha volta, ele desagradava a Deus, e isso deve me mover a não querer mais pecar. "Os pecados aceitáveis são sutis porque nos enganam e nos levam a pensar que não são tão maus assim ou simplesmente que não são pecados, ou - pior ainda - porque nos induzem a não pensar neles de modo nenhum!" [2].
Muitas vezes, queremos dar um nome bonito àquilo que, em sua essência, é pecado. "Estou apenas mostrando meu ponto de vista", "é bom para a autoestima", "eu fiz por merecer", "é a minha privacidade". Aquilo que falamos reflete o que está em nosso coração (cf. Mt 12.34). E, se resta dúvida, orgulho é pecado! "Olhar altivo e coração orgulhoso, a lâmpada dos perversos, são pecado" (Pv 21.4). Pior ainda, o orgulho é um pecado detestável para Deus: "O Senhor detesta os orgulhosos de coração. Sem dúvida serão punidos" (Pv 16.5). Talvez você esteja na dúvida se o orgulho faz parte da sua vida, então, pare para pensar em quantas vezes decide fazer algo pois é o melhor para você, quantas vezes pensa em você durante o dia, quantas vezes não fica feliz com algo que fez e quantas vezes não reclama de algo que o desfavorece? Orgulho é, essencialmente, ter um conceito muito elevado de si mesmo. Segundo o dicionário online Michaelis é “amor-próprio exagerado”. Mas a Bíblia nos diz que devemos ter um conceito equilibrado de nós mesmos:

 "Pois pela graça que me foi dada digo a todos vocês: ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, pelo contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu. Assim como cada um de nós tem um corpo com muitos membros e esses membros não exercem todos a mesma função, assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros" (Rm 12.3).

Será que o objetivo de nossas vidas tem sido realmente levar glória ao nome de Deus? Ou será que tem sido mais parecido com trazer glória ao meu nome, ao que faço, ao meu currículo, à minha família, aos meus bens? Cuidado, "O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda" (Pv 16.18).

É difícil admitir, mas muitas vezes somos como o fariseu de Lucas 18.11, que agradece por não ser tão pecador quanto o publicano. Nem sempre fazemos isso com nossas palavras, mas é o que demonstramos com nossas ações. Assim, quando entendo que todos os meus pecados carecem do perdão de Deus (Rm 3.23) e que a simples infração de um “pecadinho” sequer me faz merecer a morte (Rm 6.23), percebo que meu orgulho deve ser tratado com seriedade. "Quando percebemos como a notícia ruim é má, teremos mais capacidade de entender como a notícia boa é ótima."  [3]. Quando a ficha caiu para mim, comecei a pedir perdão pelos meus pecados, um por um, dia após dia. Quando damos nome aos bois, percebemos que na verdade não somos tão bons quanto achávamos que éramos, e a mensagem da cruz passa a ter um novo significado quando percebemos que, de fato, precisamos de salvação.
2. Acho que sou melhor do que os outros
Sim. Isso também foi difícil de admitir, mas eu me acho melhor do que os outros. "Um dos problemas com o orgulho é que o enxergamos nas outras pessoas, mas não em nós mesmos. Estou bastante ciente da pergunta de Paulo: 'Tu, pois, que ensinas os outros, não ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas?' (Rm 2.21)."  [4]. É engraçado como percebemos tão facilmente o pecado na vida dos outros, mas como é difícil olhar para dentro de nós mesmos e, ao perceber o pecado (passo difícil), nos humilharmos e pedirmos perdão (mais difícil ainda) com o coração entristecido por termos quebrado o padrão estabelecido por Deus (quase impossível), pois sabemos que Ele é fiel e justo para nos perdoar (1 Jo 1.9). Assim como Davi diz no Salmo 32.3-6,
"Enquanto calei meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim e o meu vigor se tornou em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado. Sendo assim, todo homem piedoso te fará súplicas em tempo de poder encontrar-te. Com efeito, muitas águas, não o atingirão."
Muitas vezes eu pensava que o que eu fazia determinava quem eu era ou quem eu iria ser. Por fora, eu até podia apresentar uma falsa humildade quando as pessoas me exaltavam pelas minhas realizações, mas no fundo aquilo enchia meu ego. Minha segurança estava no bom ensino que eu tive, nos cursos que fiz, nas habilidades que desenvolvi. "Tenho tudo para me destacar." Ao mesmo tempo, muitas vezes me via em crise por não saber como me sobressair diante de tantas pessoas tão ou mais habilidosas do que eu. Esqueci-me de que não tenho nada que não me tenha sido dado.
"Assim, ninguém se orgulhe a favor de um homem em detrimento de outro. Pois, quem torna você diferente de qualquer outra pessoa? O que você tem que não tenha recebido? E se o recebeu, porque se orgulha, como se assim não fosse?" (1 Co 4. 6,7).
Tudo muda quando você entende que o seu objetivo não é se destacar, não é ser original e nem deixar uma grande marca. Jesus já deixou essa marca e nosso propósito é fazê-la conhecida.
"Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; ​mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR" (Jr 9.23,24).
Tudo aquilo que eu recebi deve ser usado para exaltar o nome de Deus e não o meu. Os resultados daquilo que faço são resultado da graça de Deus em minha vida e não do meu esforço. Entender isso muda tudo.
Esse artigo continua no mês que vem, aproveite o tempo para refletir nisso que já expusemos até aqui e aguarde os próximos dois pontos e a conclusão, pedindo que Deus prepare seu coração para receber as lições de humildade que a Bíblia nos ensina.

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[1] BRIDGES, Jerry. Pecados Intocáveis, p. 15
[2] Idem, p.25 
[3] Idem, p. 26.
[4] Idem, p. 85

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