Jovem Crente: O que a Reforma Protestante tem a ver com a educação?

O que a Reforma Protestante tem a ver com a educação?


500 anos...

Isso é o suficiente pra algumas gerações passarem. Para algumas cidades, povos, países, se misturarem e formarem novas civilizações. É o suficiente pra nomes e famílias serem completamente esquecidas. Para prédios construídos se deteriorarem consideravelmente.

Mas, felizmente, algo não se perdeu pois 500 anos se passaram e ainda hoje nos lembramos de uma figura importante: Martinho Lutero. Um homem que não mudou somente o pensamento de sua época, mas foi um dos ícones essenciais para a mudança histórica. Seu impacto não parou em 1517 ao fixar as 95 teses contra as indulgências impostas pela igreja católica da idade média. Seus escritos e sua paixão pela educação do homem moderno repercutiram ao ponto de termos escolas acessíveis a todas as classes sociais.

Quantas bíblias você possui em sua casa? Elas estão em sua língua materna?

Quantos cursos universitários existem? Quantos professores te auxiliaram em sua história de educação?

E se eu te dissesse que o mesmo Monge que fixou as teses na Igreja do Castelo de Wittenberg em 1517 tem tudo a ver com a sua facilidade em ter uma bíblia a seu alcance? Ou ainda melhor, e se você soubesse que várias das cartas escritas por ele às autoridades alemãs da época tratavam sobre a importância de se ter um ensino adequado às crianças?

O estudo da Ciência era considerado um dom divino e os estudantes “privilegiados” eram membros do Clero (divisão social religiosa da época). Ou seja, o ensino era algo limitado às pessoas de grande importância na sociedade e apesar de existirem escolas para a população, elas não iam muito além da instrução básica para um trabalhador comum.

Para Lutero: “A maior força de uma cidade é ter muitos cidadãos instruídos”.[1] Ou seja, a educação é de extrema importância. Às vezes a escola se torna algo obrigatório e fazemos de tudo para que esse sufoco passe rapidamente, a fim de estudarmos somente o que gostamos, mas o teólogo da Reforma não via a situação dos estudantes dessa forma. Para ele, o privilégio de estudar era algo que precisava atingir todas as divisões da sociedade, especialmente a religiosa. Ele traduziu a Bíblia para a língua alemã e, com esse feito, muitas pessoas que não possuíam educação formal passaram a estudar para que conseguissem ler as escrituras.

Lutero também valorizava a especialização de pessoas para o cargo de professor, a fim de educar as crianças e jovens para que eles pudessem exercer a diferença necessária na futura geração.

O mestre dos mestres, Jesus Cristo, deixa uma instrução aos seus discípulos, que todo o ensino que ele passou a eles fosse passado adiante, e que esses também se tornassem aprendizes e ensinassem a outros:

Então, Jesus aproximou-se deles e disse: "Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos".Mateus 28.18-20[2]

Esse princípio se aplica em várias outras passagens bíblicas. Jesus era um mestre por excelência e seu exemplo nos ensina que precisamos ser aprendizes em todos os aspectos da vida. Não devemos pensar que só por possuirmos uma ou outra formação, ou por entendermos demais acerca de alguns assuntos, não precisamos mais sermos ensinados.

Assim sendo, podemos ver que o impacto causado pela reforma protestante, abriu fronteiras para que as pessoas pudessem desfrutar de uma educação de qualidade, e obter (novamente) o acesso à Palavra de Deus.
A valorização da educação teve seu destaque, e precisa ser constantemente visitada.

A história confirma que esse rompimento com o pensamento manipulador da sociedade medieval trouxe bons resultados à valorização da aprendizagem do homem e, assim, nos dias atuais, temos inúmeros motivos para agradecer pela ousadia de Lutero e sua devoção à Deus, que permitiu que hoje, tivéssemos as escrituras traduzidas e uma sociedade que valoriza a escola como um dos passos para uma cidadania de qualidade.

De minha parte, se pudesse ou tivesse que abandonar o ministério da pregação e outras incumbências, nada mais eu desejaria tanto quanto ser professor ou educador de meninos. Pois sei que, ao lado do ministério da pregação, esse ministério é o mais útil, o mais importante e o melhor. Inclusive tenho dúvidas sobre qual deles é o melhor [...][3]


Soli Deo Gloria!



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[1] Revista Nova Escola, Edição Especial nº 10, vol II, agosto de 2006.

[2] Grifo meu.

[3] LUTERO, MARTINHo. OBRAS SELECIONADAS - VOL 5 - ÉTICA: FUNDAMENTOS - ORAÇÃO - SEXUALIDADE - EDUCAÇÃO – ECONOMIA (Editora Sinodal)




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- pode discordar, mas com educação