Jovem Crente: Nós Crescemos Juntos

Nós Crescemos Juntos


- Eu faço parte da história dele.
- Nós crescemos praticamente juntos.
Ele sempre conta histórias. Do seu trabalho, de sua família, da faculdade...
Ela sempre o faz de diário. Seus medos, seus momentos de família, a chefe que a culpou de algo que não fez, ou o trabalho da faculdade que foi entregue para a banca avaliadora, e a deixou preocupada.
Eles mal falam de Deus. Falam sobre a igreja, sobre as pessoas que os pressionaram novamente sobre o noivado, as crianças que deram trabalho na escola dominical. Talvez conversem sobre a possibilidade de assumirem o ministério de jovens; falam sobre o casamento, sobre as contas pra pagar, quem irão convidar, a cor do vestido, a comida do Buffet. Conversam sobre o nome dos filhos, a escola em que irão estudar, e como querem os educar diferente da maneira em que foram criados.
Durante, antes e depois, acontecem as carícias, o andar de mãos dadas, o elogio das roupas, maquiagem, ou da organização do carro. Saem para jantar, para descontrair em um cinema, para irem a um estádio, ou até mesmo ficam sentados no sofá da sala encarando um ao outro sem entrarem em assuntos mais profundos. Isso pode gerar conforto, mas em algum momento uma das partes deseja algo diferente da rotina, e brigas acontecem.

Eles mal falam com Deus. Até oraram antes de começarem esse relacionamento, mas a vida deles tornou-se tão corrida que o “Deus te abençoe” no final de cada telefonema é automático. Tem um encontro semanal com o pastor para cumprirem o currículo da igreja. Fazem isso por obrigação, não por necessidade. Então, a “vida cristã” só existe nessas ocasiões.
Talvez, todas essas linhas sejam mera especulação, ou fantasia, mas creio que é bem provável que 80% dos relacionamentos que você vê na igreja estão debaixo dessa realidade: A total falta de fé em um Deus de relacionamentos. Os casais dizem que são cúmplices, melhores amigos... Falam que não escondem nada um do outro, mas no momento em que estão diante da oportunidade de orar sobre a vida deles com Deus, eles fogem.
Quanto tempo você gasta investindo no crescimento real de seu parceiro? E quantos momentos preciosos de aproximação com Deus, são desperdiçados? Obviamente, pensar sobre algumas dessas coisas é necessário. Pontualmente, eventualmente, e com uma real caracterização do que seja de fato relevante. Mas a impressão que fica é que os relacionamentos giram em torno de eventos sociais, onde é mais importante o estar juntos e curtir as carícias e conversas do momento, do que falar sobre o caminhar da vida cristã.
Orar juntos é extremamente importante. Ler a bíblia, compartilhar de sonhos e projetos com relação ao futuro. Dizer para seu companheiro como anda a vida devocional, quão grande é sua admiração por Deus. Quanto Deus tem agido em suas vidas, e como a história de vocês pode continuar crescendo verdadeiramente, rumo ao plano perfeito dEle. No catecismo de Westminster[1], uma de suas perguntas mais conhecidas é: Qual é o fim principal do homem? E sua resposta: O fim principal de todo o homem é glorificá-lo ao gozá-lo para sempre. Ou seja, se vivemos uma vida fraca, lotada de compromissos onde reclamar sobre uma vida presa na rotina é mais relevante do que confiar em Deus, para que servimos?
Em Mateus 6.33, Jesus cita a importância de uma vida que busca o Reino de Deus acima de todas as demais coisas. Em Eclesiastes 4.9-12, Salomão comenta sobre a importância de ter um companheiro nessa jornada. Mas não é alguém que estará confiante em si próprio com relação a seus desejos e necessidades carnais, mas sim, alguém tão doador ao ponto de preocupar-se com a pessoa amada. Quando vemos o final do versículo 12, (a citação de um cordão de três dobras), pensaríamos ainda sobre as duas pessoas que estão caminhando lado a lado, mas abraçado ao sentido do livro, vemos que a primeira pessoa desse relacionamento é Deus, pra depois visualizarmos os companheiros.
Voltando ao ponto do propósito principal do homem, vemos que a função da pessoa que de fato vive de acordo com princípios divinos, é visível através de seus atos. Suas palavras, o uso de seu tempo, seus planos, tudo reflete a glória de Deus (1Co 10.31). Sendo assim, um relacionamento formado debaixo dos padrões cristãos, deveria atrair as pessoas para verem a glória de Deus. Porque são pessoas que desejam se unir e futuramente formar uma só carne, glorificando e cultuando a Deus com suas próprias vidas.
Creio que o namoro deva visar casamento. Creio que o passar de tempo juntos deva ser construído não só de fulano, ou cicrana, mas de ambos para o exercer de uma vida dedicada, que se alegra com cada pequeno propósito que Deus colocou em seus corações.
Em Josué 24, o líder do povo de Israel desafia a todos a decidirem a quem serviriam. Se aos falsos deuses, ou ao Deus altíssimo. Ele e sua família assumiram o compromisso de servir somente ao Senhor, e não as vantagens comerciais que o culto a outros deuses os trariam, mas confiando que Deus era soberanamente melhor do que qualquer outro benefício humano. Apesar de parecer muito cedo para se pensar nesse tipo de coisa em um namoro, as estruturas de uma vida inteira serão construídas se houver o estabelecimento de alicerces sólidos. A vida devocional dos dois separadamente deve resultar na vida devocional do casal. Enquanto juntos, fazer planos deve ser parte frequente de suas conversas, assim como orar acerca desses planos é indispensável. O pedir por conselhos, a busca por uma vida que glorifique a Deus mesmo enquanto sós, e logo após o casamento, como família. O cultivo de um culto de gratidão, de reconhecimento real sobre as alegrias que Deus já operou na história dos dois, e sim, a real afirmação de que vocês cresceram um para o outro e ambos para Deus.
Vocês cresceram juntos.
Vocês buscaram ao único que é capaz de fundamentar e sustentar todas as suas esperanças e medos, e juntos, construíram um cordão de três dobras que não se pode quebrar.
Que somente a Deus seja a glória desse relacionamento.



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[1] Disponível aqui


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