Jovem Crente: Embora a dor nos cerque na viagem, marcharemos

Embora a dor nos cerque na viagem, marcharemos


João Carlos Martins viu-se por diversas vezes privado de seu contato com o piano. Em 1965, ele teve uma queda, que perfurou seu braço direito na altura do cotovelo provocando atrofia em três dedos, obrigando-o a parar de tocar por um ano. [...] Voltou aos palcos, com muita dificuldade, e depois de longos períodos de fisioterapia. Entretanto desenvolveu distúrbios que o fizeram sair do palco mais de uma vez. [...] Não desistindo da carreira musical, fez várias adaptações para continuar tocando. [...] Em 1995, em um assalto, João Carlos foi golpeado na cabeça com uma barra de ferro, provocando uma sequela neurológica que comprometeu o membro superior direito, teve que fazer trabalhos de reprogramação cerebral para conseguir movimentar a mão direita. João Carlos é incapaz de segurar a batuta ou virar as páginas das partituras dos concertos. [...] o maestro faz um trabalho minucioso de memorizar nota por nota. Todas as músicas que rege precisam ser decoradas. Isso o faz memorizar uma média de 5 mil páginas de música por ano. O que essa história me faz pensar é o quanto uma pessoa é capaz de enfrentar e persistir em fazer algo quando se ama o que faz. Alguns diriam que “o universo conspirou contra esse pianista”, outros até questionariam, caso passassem por algo parecido, “por que Deus permitiu que essas coisas acontecessem?”, mas logo chegariam à conclusão de que a persistência dele é um exemplo a ser seguido. [1]

Quando conversei com minha amiga e ela disse que foi ao concerto do pianista e maestro João Carlos Martins, eu fiquei tocada com o que ela disse sobre ele. Que, mesmo com dor e com os  dedos atrofiados, Martins tocava sua música com alegria. Por que ele continuava a tocar? Porque ele ama o que faz. Não importa quantos acidentes e doenças ele teve, não importa quantas vezes ele derramou sangue nas teclas do piano ao usar dedos de aço para tocar, não importa a dor que ele sente. Ele vai continuar tocando. Seu exemplo tem inspirado diversas pessoas a não desistirem daquilo que querem.

Por que, então, aplicamos essa ideia em quase todas as áreas da nossa vida e não nos esforçamos para que isso se torne uma realidade na nossa vida com Deus? Nos dedicamos por completo quando queremos realizar um sonho, ou no cursinho para passar naquele vestibular difícil, ou engolimos milhares de sapos para viver aquela carreira que sempre sonhamos em ter. Porém, na primeira dificuldade, abrimos mão do nosso relacionamento com Deus.

Por que queremos desistir quando a primeira dificuldade aparece? Por que fazemos as coisas de Deus desleixadamente? Por que não nos esforçamos para nos dedicarmos ao Reino de Deus? Por que é tão difícil dar o nosso melhor para Deus?

Eu já ouvi muitas pessoas falarem, no contexto de relacionamentos, que “quem realmente está interessado, corre atrás, não inventa desculpas”. Porém, o que mais vejo hoje em dia são pessoas dando desculpas e mais desculpas, eu inclusive. Parece-me que fazemos tudo contrário do que Jesus disse em Mateus 6:33, como se Ele tivesse dito “busque em primeiro lugar todas as outras coisas e, se sobrar tempo e você tiver com vontade, o Reino de Deus”. Vivemos constantemente como se tivéssemos fazendo um favor a Deus ao ir à igreja, orar e cumprir os pontos essenciais do “Pacote básico de Cristãos”.

Mas, se formos olhar para a Palavra de Deus, não é assim que somos chamados a viver. Jesus diz que

“Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” (Mt 16:24).

Se queremos realmente seguir a Jesus, precisamos negar-nos a nós mesmo; abrir mão daquilo que temos de mais precioso e colocá-lo como principal em nossa vida, e não como coadjuvante. Precisamos tomar a nossa cruz, aceitar as dificuldades que vêm sobre nós e entender que isso também faz parte da caminhada. Precisamos segui-lo porque conscientemente decidimos isso, e não porque é o mais conveniente. Porque, acredite em mim, não é o caminho mais fácil. 

Quero te convidar a seguir o exemplo de Paulo, quando ele diz em 2 Timóteo 1:12: 

"Por essa causa também sofro, mas não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou bem certo de que ele é poderoso para guardar o que lhe confiei até aquele dia."

Que saibamos em quem temos crido, e que possamos seguir nossa caminhada porque amamos Aquele que nos guia, sem inventar desculpas toscas. Que, embora a dor nos cerque na viagem, continuemos marchando na coragem do Senhor.















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[1] http://epocanegocios.globo.com/Vida/noticia/2016/06/joao-carlos- martins-vida- nao-e- so-
tragedia.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Carlos_Martins

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