Jovem Crente: Meu anel de papel

Meu anel de papel


Hoje eu esqueci meu anel em casa. Bem em uma sexta-feira, que eu passo a noite em São Paulo (não em minha casa em Guarulhos) para trabalhar no dia seguinte pela manhã (ninguém merece acordar 5 horas da manhã num sábado para entrar no trabalho às 8h).

Então. Eu esqueci meu anel. Não é uma aliança de compromisso nem nada. É um anel prateado com uma pedra em cima que ganhei do meu pai quando fiz 15 anos. Eu sempre uso esse anel no dedo médio da mão esquerda, pois é o único dedo que não deixa o anel cair. Tenho usado esse anel há anos nesse mesmo lugar e, sempre que eu o esqueço em casa, eu sinto um vazio na minha mão. Consigo sentir meu dedo formigando, sentindo a falta do contato do anel contra a minha pele.

Dessa vez, fazia muito tempo que eu não esquecia meu anel em casa, ainda mais em um tempo longo assim. Eu estava no trabalho, corrigindo atividade dos alunos, mas toda hora eu perdia a concentração e olhava para o meu dedo vazio. Toda hora eu passava o polegar no dedo médio e me deparava com o vazio ali.

Meus colegas de trabalho já estavam cansados de me ouvir falar que eu estava sem o anel, e que isso estava me incomodando loucamente, quando eu tive a brilhante ideia de cortar uma tira de papel fina e enrolar ao redor do meu dedo. A Izadora, sentada ao meu lado, foi a responsável por tentar dar um nó no pedaço frágil de papel. Anel de papel pronto, me senti infinitamente mais aliviada.

Por alguns longos minutos, eu me senti bem. Consegui me concentrar no trabalho, lancei a presença dos meus alunos, corrigi as lições e provas, mandei e-mail para os que estavam faltando e tudo mais. Nem parecia que eu tinha esquecido o anel de verdade em casa.

Até que eu fui ao banheiro e lavei a mão ao sair.

E meu anel de papel desmoronou.

Até tentei aguentar o anel de papel molhado, mas eu não sabia o que era pior: um dedo com um papel molhado ou um dedo sem anel nenhum. Decidi tirar, mas voltei a ficar incomodada.

Alguns minutos depois, Elaine, outra professora, me trouxe um arame emborrachado (daqueles que se usa para fechar embalagem de pão de forma). Eu o enrolei ao redor do meu dedo e voltei a me sentir bem. Muito bem, por sinal. O arame é bem mais firme que uma tira de papel, e até conseguia me enganar, agindo como se eu estivesse com o anel. Mas não deu outra. A borracha escapou do arame, e este ficou pinicando meus dedos e machucou-os.

Por fim, decidi que não adiantaria mais tentar. Nada ali poderia preencher o vazio do meu dedo. Eu precisava me acalmar, tentar fazer meu trabalho, mas continuava ansiosa pra voltar para casa. Somente aquele anel, que já tem o formato certinho do meu dedo, poderia funcionar.

No dia seguinte, ao chegar em casa, minha mãe me trouxe o meu anel e eu o coloquei no dedo. Ele se encaixou direitinho, preencheu o espaço certinho. E senti-me bem, aquilo pareceu certo.

Olhando para o meu anel, eu pensei em como às vezes gastamos nossos esforços e nos machucamos tentando preencher o vazio que existe em nós, quando o único que pode preencher é Cristo, aquele que estava presente na criação e onde "temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados"(Efésios 1:7). Pensei em como tentamos em vão procurar alternativas que só vão nos fazer sentir bem por alguns minutos, mas que logo vão nos deixar mais vazios e pensando que nada mais faz sentido (Ec 2:1,2). Pensei em como ignoramos a graça de Deus, que é suficiente para nós (2 Co 12:9), e a trocamos por coisas perecíveis.

Pensei em como nos contentamos com anéis de papel quando podemos ter um anel de prata com uma pedra de brilhante em casa, se tivermos um pouco mais de paciência.

"Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus. [...] A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente um Salvador, o Senhor Jesus Cristo." Filipenses 3:13,14,20

 "Portanto, irmãos, sejam pacientes até a vinda do Senhor." Tiago 5:7a

Revisora: Ana Paula Alves

2 comentários:

  1. Parabéns Camila
    Amei a sua crônica. Com sua permissão vou usá-la em uma de minhas mensagens. Também gostaria de pública -la no meu Blog (http://prdennermaia.blogspot.com.br) com a sua permissão

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  2. Parabéns Camila
    Amei a sua crônica. Com sua permissão vou usá-la em uma de minhas mensagens. Também gostaria de pública -la no meu Blog (http://prdennermaia.blogspot.com.br) com a sua permissão

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