Jovem Crente: Pureza pra quê?

Pureza pra quê?


Fazer ou não fazer sexo antes do casamento. Talvez esse seja um dos temas mais comentados nas rodas de adolescentes cristãos. Em países como os Estados Unidos, é comum que pais de adolescentes presenteiem suas filhas e, até mesmo filhos, com o anel da pureza como símbolo da abstinência sexual até o casamento. Desde pequenas, muitas meninas são ensinadas a se guardarem para seus maridos. Mas será que sabemos o que de fato significa ser puro? E será que a pureza está ligada somente ao período pré-matrimonial e se restringe somente ao universo feminino?

O Plano de Deus

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser, mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é. Todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro” (1 Jo 3.2-3).

A pureza é o desejo do Senhor para todos nós. Homens, mulheres, casados ou solteiros, “todo aquele que nele tem esta esperança” deve buscar a purificação todos os dias. O desejo de nos afastarmos do pecado está muito mais ligado ao amor que temos pelo Senhor do que à pessoa com quem vamos nos casar. Nesse sentido, ser puro está ligado a estar limpo diante de Deus, sem mácula. A pureza, então, envolve muito mais do que apenas não fazer sexo antes do casamento, ela aponta para o quanto você está disposto a renunciar seus pecados, sejam eles na área sexual ou não.  

“Ser fisicamente abstinente não é a mesma coisa que ser moralmente puro. Pureza moral é uma questão do coração. Se o coração não for puro, o corpo não será mantido puro por muito tempo. [...] o relacionamento em que há abstinência física honra automaticamente a Deus? Não. Uma pessoa pode ter um conjunto de alvos idólatras para um relacionamento e ainda sim ser fisicamente abstinente!” ¹

O Nosso Plano 

Ok, agora eu já entendi que a pureza envolve muito mais do que viver em castidade. Então porque ainda precisamos falar sobre imoralidade sexual? Porque embora haja inúmeros artigos sobre o tema e a gente pense que já sabe todos os motivos pelo qual devemos nos preservar sexualmente, continuamos pecando nessa área. Sabemos que:

“Entre [nós] não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual como também de nenhuma espécie de impureza e de cobiça; pois essas coisas não são próprias para os santos. Não haja obscenidade, nem conversas tolas, nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ações de graças” (Ef 5.3-4).

Mas continuamos insistindo em que não há nada de mal em ver filmes, ouvir músicas, ler livros/revistas e participar de conversas que tratem tão abertamente dessa questão. Quando começamos a negociar certas coisas que consideramos “pequenas” para nossa pureza, como uma simples menção do assunto, o próximo passo é negociar a prática em si.

Como já vimos, os pecados que afrontam a pureza são muitos e todos precisam ser identificados e tratados com a mesma seriedade. No entanto, infelizmente, a imoralidade sexual é um pecado (Gl 5.19) muito comum no meio cristão e, por isso, iremos tratar dele especificamente. A questão é: por que ele é um pecado tão comum assim?

“Fujam da imoralidade sexual. Todos os outros pecados que alguém comete, fora do corpo os comete; mas quem peca sexualmente, peca contra o seu próprio corpo” 
(1 Co 6.18).

Acredito que um dos grandes motivos é a nossa incredulidade. Deus nos oferece um plano perfeito e nos diz exatamente o que devemos fazer, mas no fundo não acreditamos que o que ele propõe é tão bom assim. Preferimos seguir o nosso plano, mesmo que ele não venha com nenhuma garantia. Preferimos escutar nosso lado carnal que nos incentiva a ceder àquilo que nos faz sentir bem e, muitas vezes, nem insistimos em lutar para permanecer no Espírito, por que isso nem sempre nos faz sentir melhor. Acabamos nos esquecendo de que nossa satisfação deve estar em Cristo (Pv 19.23) e mostramos onde realmente está o nosso coração (Mt 6.21).

“A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o seu próprio corpo de maneira santa e honrosa, não dominado pela paixão de desejos desenfreados, como os pagãos que desconhecem a Deus. Neste assunto, ninguém prejudique seu irmão nem dele se aproveite. O Senhor castigará todas essas práticas, como já lhes dissemos e asseguramos. Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade. Portanto, aquele que rejeita estas coisas não está rejeitando o homem, mas a Deus, que lhes dá o seu Espírito Santo” (1Ts. 4.3-8).


Erro de Percurso

Muitas vezes a gente se esquece de que o plano de Deus realmente é o melhor e, em alguns casos, só percebemos isso quando já poderíamos ter evitado muitas coisas. Quando preferimos seguir o nosso próprio caminho, sem Deus, cometemos um erro de percurso seguido de mais outros erros que se tornam cada vez mais recorrentes.

Vários jovens cristãos têm dificuldade em zelar por um relacionamento livre da imoralidade. Quando digo imoralidade, não me refiro apenas ao sexo, mas a carícias, conversas, momentos e pensamentos que certamente desagradam a Deus. Sobre o que se trata seu relacionamento afinal: satisfazer a você mesmo ou ao Senhor? Creio que essa é uma questão para se pensar e que deve ser trazida à tona como autoavaliação em diversos momentos.

Quando penso nas dificuldades que casais cristãos passam para não cederem a carícias, inclusive no meu próprio relacionamento, penso em alguns pontos que podem contribuir para que a dificuldade seja cada vez maior:


  • Pensamos que não estamos suscetíveis a esse pecado

Qualquer um pode cair na área sexual, desde a adolescente até ao dirigente do louvor, você não está isento. Quanto mais alertas estivermos disso, mais cuidado teremos. Além disso, os solteiros também precisam estar atentos, pois a maneira como se lida com isso hoje poderá ecoar no relacionamento futuro.

“Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!”
(1 Co 10.12).


  • Não dependemos de Deus

Quando percebemos que as carícias estão aumentando e a tentação só cresce, geralmente pensamos: “eu consigo lidar com isso, na próxima não vou deixar extrapolar.” Pensamos que podemos resolver sozinhos, mas a verdade é que não conseguimos. Não ache que você vai conseguir lutar contra o pecado com suas próprias forças, dependa de Deus e busque ajuda.

“Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas. Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema o Senhor e evite o mal” 
(Pv 3.5-7).


  • Não colocamos limites

Achamos que saber o que é pecado nos fará recuar quando necessário e não colocamos barreiras tangíveis. Quando temos limites definidos, isso nos desestimula a pecar. A comunicação sincera e aberta é essencial para se estabelecer esses limites, pontuando possíveis pontos fracos. Cada casal tem uma maneira diferente de lidar com isso, uns são adeptos da corte, outros não. O ponto é se a maneira como vocês tem utilizado o contato físico agrada ou não a Deus.

“Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31).


  • Achamos que somos independentes

Esquecemo-nos de que na fase do namoro ainda estamos sob a autoridade dos nossos pais. Devemos prestar contas às nossas autoridades, inclusive sobre a maneira como namoramos. Além disso, ter amigos de prestação de contas também é uma boa maneira de evitar cometer esse tipo de pecado. Somos corpo e precisamos da ajuda uns dos outros para sermos cada dia mais santos.

“Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz” (Tg 5.16).


Precisamos analisar se algum desses pontos pode estar nos impedido de ter um relacionamento totalmente agradável a Deus.

O empenho pela pureza do casal deve ser prezado tanto pelo menino como pela menina. Se você percebe que seu namorado ou sua namorada está disposto(a) a negociar os princípios propostos pelas Escrituras, esteja em alerta e lembre-se de que um relacionamento deve estar pautado primeiramente no amor de cada um a Deus (Mt 22.37).

Tenha em mente que a imoralidade sexual no namoro pode abrir portas para que o mesmo aconteça no seu casamento, como a prática do sexo ilícito e fora dos laços do matrimônio (Lc 16.10).

Voltando à Rota

Pode ser que eu e você tenhamos em algum momento negociado algum aspecto da pureza ou, até mesmo, chegado a cometer o pecado da imoralidade sexual. Independente de que pecado tenhamos cometido, precisamos reajustar o nosso foco e voltar para a rota proposta por Cristo. Somente ele é capaz de nos tornar santos e nos redimir do pecado.

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” 
(1 Jo 1.9).

Permanecer negando ou omitindo só o fará continuar na antiga rota sem saída. Precisamos avaliar nosso coração e mente e confessar nossos pecados. Pior do que negociar a sua pureza é não admitir que você precisa tratar o seu pecado. Quando confessamos, ele nos perdoa, e isso basta.

Confessar e mudar

Depois que pedimos perdão àqueles contra quem cometemos o pecado (Deus e a outra pessoa, em alguns casos), o Senhor nos incita a deixar nosso erro e buscar novos hábitos. O que fizemos não importa mais, o que importa é o que faremos. Precisamos lutar, com a ajuda de Cristo, contra aquilo que nos faz pecar. Ore pedindo a ajuda de Deus e pense em maneiras práticas de fugir do pecado diariamente.

“Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas” 
(2 Co 5.17).

Independente do que você já fez, Cristo tem o poder de o tornar puro novamente! Quando entendemos que o que ele tem para nós é realmente o melhor, viver da maneira que ele deseja e desfrutar o que ele tem preparado para nós torna-se a nossa maior motivação.
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¹ TRIPP, Paul David. “O Caminho do Sábio”. Coletâneas de Aconselhamento Bíblico. v.4 p.93




Revisado e corrigido por Aline Santos

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