Jovem Crente: Super-homens: quando nossas fraquezas aparecem

Super-homens: quando nossas fraquezas aparecem



A síndrome do Superman. Imbatíveis, invencíveis e infalíveis. Não são poucos os homens que pensam assim. “Nada pode dar errado!”, “Nunca falharemos!”. Mas estes pensamentos, na verdade, são bem mais comuns em nós do que imaginamos.

Antes de ir para o seminário, minha vida girava em torno do desejo de me profissionalizar no futebol. Treinava muito para isso. Lembro-me bem do que o treinador dizia a mim ou a qualquer outro zagueiro que entrasse em algum jogo: “Vamos lá! Passe confiança!”. A posição em que jogava exigia que eu transmitisse segurança para o restante do grupo. Um zagueiro não pode demonstrar insegurança, muito menos fraqueza. Um erro meu, e todo jogo poderia estar perdido. Por isso, sempre me preocupei em demonstrar confiança e nunca fraqueza para o meu time. Mas o interessante é que, quando a preocupação em não falhar era maior do que o meu desejo de ganhar a partida, invariavelmente, eu cometia erros que comprometiam a equipe.


A verdade é que boa parte de nós, homens, gastamos grande parte de nossas vidas e de nossa energia tentando provar para as pessoas algo que não somos. Tentamos mostrar que somos muito bons, quase excelentes, e só admitimos aqueles erros que não mancham tanto a nossa imagem e reputação. Pois é, triste ilusão! Sim, nós falhamos, nós pecamos (pecamos feio!) e nós frustramos as pessoas. Isso é consequência da maldade que há e que estará em nós até o dia em que nos encontrarmos com Cristo (Sl. 51.5; Rm. 3.23). Nosso corpo e mente possuem limites e, por incrível que pareça, nosso caráter também. Na vida real, os “super-homens” podem ser aqueles que mais temem fracassar diante de outras pessoas.

Como lidar com isso?

Lidando com nossa imagem

Apesar de termos sido alcançados por Cristo, algumas coisas demoram a fazer sentido em nossa mente. Qual é minha imagem diante das pessoas? Qual é minha imagem diante de Deus?

Na verdade, a ordem de importância dessas duas perguntas faz toda a diferença. Não importa a forma como as pessoas nos veem, sabe por quê? Porque nós nunca saberemos, ao certo, o que se passa dentro da mente delas! Quando nos preocupamos com o que os outros pensam de nós, acabamos criando uma expectativa em relação a isso, e é aí que surge a preocupação excessiva e desgastante com a perfeição e com o exterior. Importará muito mais o que você faz e como faz, do que o que realmente está em seu coração. O anseio por agradar as pessoas é aprisionador e corrói nossas energias.

“Acaso busco eu agora a aprovação dos homens ou a de Deus? Ou estou tentando agradar a homens? Se eu ainda estivesse procurando agradar a homens, não seria servo de Cristo” (Gl.1.10).

Nossa grande preocupação deve ser com a nossa imagem diante de Deus e aí, meu amigo, não há como camuflar nossas imperfeições.

“Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante dos olhos daquele a quem devemos prestar contas” (Hb. 4.13).

Não há como criar uma aparência externa santa o bastante para conseguirmos sua admiração. Deus vê o que está mais encrustado em nosso coração, nossos piores desejos, pensamentos, medos, aquilo pelo qual você morreria se alguém soubesse. Não há como fabricar a imagem do super-homem para Deus porque ele, mais do que ninguém, sabe que não o somos. (Sl.139.1-4; Jr.17.10; Lc. 12.2).

Então, como Deus nos vê?

Lidando com a imagem de Cristo em nós

Deus conhece todas as nossas imperfeições e só não está furioso com a nossa maldade porque ele vê, em nós, que cremos no evangelho, a imagem de seu filho. Rapaz, não importa quantos anos de cristianismo você possua, entenda uma coisa: não há mérito algum em você que faça Deus olhá-lo como alguém digno de admiração. Todos os seus méritos estão em Cristo! Ao olhar para nós, criaturas más e cheias de desejos egoístas, Deus vê a seu filho que pagou o preço por nossa maldade. Deus nos ama porque seu Filho pagou a nossa dívida. Aquele que é totalmente justo morreu para que os injustos se tornassem justificados.

“Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus” (2Co. 5:21).
Mas nós, em nossa “infinita grandeza”, gastamos nossa vida tão curta tentando promover a nossa imagem, as nossas capacidades (e usamos até os ministérios na igreja para isso).

Há somente um pelo qual vale a pena viver. Há somente um que merece que sua reputação seja reconhecida e sua figura admirada, e esse alguém é Cristo!

“Como é feliz quem teme o Senhor, quem anda em seus caminhos!” (Sl.128.1).

Quando entendemos que nossa imagem diante de Deus é infinitamente mais importante do que nossa imagem diante dos homens, passamos a direcionar nossos esforços para agradá-lo e não para agradar às pessoas. E nesse esforço, não há desgaste em vão. Não nos desgastamos tentando promover uma autoimagem elevada, mas nos empenhamos em promover a imagem daquele que é perfeito e digno de realmente ser admirado, e o fazemos não só em palavras, mas com as nossas vidas. Assim, buscamos a perfeição não para obter o aplauso dos homens, mas sim, para agradar ao nosso Deus.

“O Senhor se agrada dos que o temem, dos que colocam sua esperança no seu amor leal” (Sl.147.11).

Lidando com o nosso coração

Sendo assim, o grande problema está em nosso coração. Por quem fazemos o que fazemos? Como fazemos? Qual é nossa motivação?

 “Quem teme o homem cai em armadilhas, mas quem confia no Senhor está seguro” (Pv. 29.25).

Como foi dito acima, o desejo (não a obrigação, mas sim o desejo sincero) de agradar a Deus vem de um coração que entendeu o valor do sacrifício de Jesus e é, realmente, grato por isso. A gratidão é o combustível para uma vida voltada para Deus e ela só está presente quando entendemos que não somos bons, mas terrivelmente pecadores e tudo em nós que há de bom veio, na verdade, de Cristo! (Rm.7.18).

Lidando na prática

Precisamos sempre lembrar quem nós somos e quem Deus é para vencermos o orgulho e o desejo pela autopromoção. Termos um tempo com Deus, todos os dias, é imprescindível. Sua palavra revela quem realmente somos e, quebrantados, nos colocamos humildemente diante dele para agradecermos por sua misericórdia e pelo privilégio de sermos usados por ele, apesar de sermos quem somos.

Quando entregamos nossa vida a Cristo, entendemos isso. Mas, se não nos lembrarmos disso, diariamente, voltaremos a achar que nós mesmos, sem Cristo, somos bons o bastante!

Ao invés de se autopromover durante o dia, esforce-se para promover a Cristo. Ao invés de vangloriar-se por suas capacidades, reconheça as capacidades de outros. Ao invés de manter-se distante das pessoas com um relacionamento superficial para que outros não descubram suas fraquezas, aproxime-se para promover Cristo nas pessoas. Deixe com que Cristo seja glorificado até mesmo em suas limitações (2 Co. 12.9).

Seja um homem que, esquecendo-se de si mesmo, tem por maior desejo e ambição promover a Cristo. Para isso coloque-se, diariamente, diante dele. Aprenda, dia após dia, que o mundo gira em torno de Cristo e não de si mesmo!

“Ensina-me o teu caminho, Senhor, para que eu ande na tua verdade; dá-me um coração inteiramente fiel, para que eu tema o teu nome” (Sl.86.11).

A Cristo e somente a Ele, toda a glória!


Revisado e corrigido por Esther Ehlert

Um comentário:

  1. Gloria a Deus Max, que esse texto fique gravado em nossa mente, para nos inspirar dia apos dia devolver a Deus toda gloria devida pelo bem que fazemos, e reconhecer que nossas falhas podem ser tratadas a partir do momento que reconhecemos nossa pequenez e dependência diante dAquele que nos criou!

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