Jovem Crente: Eu, eu mesmo e eu - o individualismo e o cristão

Eu, eu mesmo e eu - o individualismo e o cristão


Não há dúvidas de que a sociedade contemporânea é marcada por valores egoístas e individualistas em todos os aspectos, sejam eles econômicos, políticos ou sociais. Segundo o Dicionário Informal, o individualismo, egoísmo ou egocentrismo, é uma “tendência para se libertar de toda a obrigação de solidariedade, para só pensar em si”. Essa tendência é nitidamente percebida em frases comumente ouvidas, como: “São minhas escolhas!”, “Eu faço o que eu quiser!” ou “O importante é que me faça feliz”.

Fazemos parte da geração do “selfie”, aquela que valoriza o enaltecimento próprio e seu status, uma geração muito desinteressada por aquilo que não diz respeito a si mesma. É fácil perceber isso até em conversas entre amigos, que embora se importem uns com os outros, por vezes, quando, contam algo sobre si mesmos, ao invés perceberem interesse do outro em saber mais, logo escutam como aquele assunto em questão se manifesta na vida da pessoa que está ouvindo. É simples exemplificar essa falta de atenção e disposição de ouvir o próximo por meio de um diálogo imaginário: “Tenho duas provas bem difíceis semana que vem!”, e a resposta: “Eu tenho só uma!”. A tendência de fazermos referência apenas às nossas vidas é tão grande, que deixamos de lado o interesse pelos outros.  No caso desse diálogo, não há preocupação em saber se a pessoa já estudou ou se ela gostaria de ajuda, parte-se logo para a afirmação da sua própria situação.

John Piper, um dos pregadores e autores cristãos mais relevantes dos nossos dias, disse a seguinte frase: “A principal mentira de Satanás é que a exaltação de si mesmo seja mais desejável do que a exaltação de Cristo.”

Mas como nós cristãos devemos reagir em relação a isso? Como focar nosso enaltecimento em Deus, aquele que é o único digno de ser elevado à mais alta posição?

“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” 
Romanos 12.2

Somente firmados na verdade de Deus e de Sua Palavra, poderemos resistir e não sermos conformados às mentiras de Satanás. Nossos pensamentos devem ser continuamente renovados pela Palavra de Deus, que ao contrário daquilo que o mundo prega, nos ensina que Cristo deve ser o alvo de toda a exaltação e louvor, como exemplificado pela afirmação de João Batista: 

“É necessário que ele cresça e que eu diminua.”  
João 3.30

Além de alvo da nossa adoração, Cristo deve ser o nosso exemplo de conduta em todas as áreas da nossa vida. Embora tivesse muitos motivos para se gloriar, uma vez que era o próprio Deus e mantinha em si todos os atributos da deidade, Jesus não considerou que deveria apegar-se a isso. Demonstrando um amor altruísta, sem pensar no que seria melhor para o seu próprio bem estar, veio à Terra,  humilhou-se, foi obediente ao Pai e morreu na cruz em nosso lugar, sofrendo as consequências dos nossos pecados, para que pudéssemos ter novamente um relacionamento com Deus. 

“Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!” 
Filipenses 2.5-8

Como cristãos, nossas atitudes devem ter como foco o enaltecimento, engrandecimento, exaltação, louvor e glória, não de nós mesmos, mas de Deus! Se Jesus tivesse agido de maneira individualista e egoísta, o que seria de nós hoje? Quando agimos de tal maneira, estamos ignorando o fato de que nossa esperança está apoiada no amor que Cristo demostrou por nós na cruz e que nosso papel é demonstrar esse mesmo amor para com as outras pessoas. 

Vale lembrar que esse tipo de atitude vai além de identificar uma necessidade alheia e agir com prontidão. Trata-se de valorizar tanto alguém, vendo essa pessoa com os olhos de Cristo, que além de agir em prol da pessoa porque ela precisa, você age porque faz questão, pois deseja olhar para suas necessidades, colocando de lado seu próprio conforto. Com isso, seremos imitadores de Deus. Ele sabia que precisávamos de graça, por isso enviou Seu filho para morrer na cruz em nosso lugar e ressuscitar. Ele não fez isso apenas porque carecíamos, mas porque Ele fez questão. Não porque merecíamos, mas porque Seu amor é tão grande que, em Sua graça, Ele nos valoriza. Essa atitude de amor incondicional e abnegado deve nos constranger a agirmos da mesma forma para com os outros.


Revisado e corrigido por Aline Santos

2 comentários:

  1. Excelente texto, apesar de termos a necessidade de ouvir mais o outro, nossa tendência é estarmos nos centro das necessidades o pão é meu e não nosso a idolatria do "eu", somos soberano em nossas vontades do eu.

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  2. Ótimo texto, realista e orientador para voltarmos ao primeiro amor👏

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