Jovem Crente: O valor da simplicidade

O valor da simplicidade


Você já quis que a vida fosse mais simples? Que houvesse menos atividades, menos afazeres supérfluos? Que o tempo em nossos dias passasse de forma menos apressada? Que as coisas que são realmente importantes fossem mais valorizadas em nossas rotinas?

Pois é, boa parte de nós sonha com uma vida assim. E, na verdade, a simples lembrança de que uma vida mais simples é possível está cada vez mais distante dos jovens na atualidade.

Mas, para falar a verdade, Deus nos chama para vivermos uma vida simples, onde Ele é o centro, a essência e a motivação de tudo o que fazemos.

O Salmo 29 me chama muito a atenção neste aspecto (aliás, boa parte dos salmos nos lembra disto que vamos falar). Ao lê-lo você vai perceber que o autor descreve uma tempestade. E se lê-lo atentamente perceberá a descrição de uma tempestade que surge no oceano, se aproxima da costa e invade regiões do continente. Interessante não? Mais interessante é notar as descrições geográficas deste salmo. Não se trata de uma tempestade fictícia, muito pelo contrário, o salmista descreve perfeitamente uma tempestade que surge no mar ocidental, atravessa as colinas cobertas de florestas do norte da Palestina e chega aos lugares áridos de Cades, nas fronteiras de Edom¹. Agora sim, isto está ficando ainda mais interessante. A tempestade descrita neste salmo é localizada com pontos geográficos tão exatos que é possível até visualizar o cenário com uma busca na internet. Fantástico? Sim, mas ainda há mais. Perceba que tudo o que acontece nesta tempestade é atribuído ao Senhor. É a voz do Senhor que troveja sobre as águas (v. 3), é a voz do Senhor que despedaça os cedros do Líbano (v.5), e é a mesma voz que torce os carvalhos e despe as florestas (v.9). Tudo o que há nesta tempestade é atribuído intencionalmente ao Senhor. Quando chegamos ao fim do salmo percebemos que ele está descrevendo o grande dilúvio descrito em Gênesis, sobre o qual o Senhor se assenta como Rei Eterno e Soberano, depois de tê-lo consumado (v. 10).

Há várias lições neste salmo que são riquíssimas para nós. A tempestade ocupa apenas parte deste. Mas gostaria de focar em uma coisa. 

Você percebe como acontecimentos naturais são atribuídos ao Senhor? Há diversos outros salmos e passagens em que elementos da natureza são relacionados com a grandeza e poder de Deus. E em todos eles, parece-me que os autores estavam exercendo algo cada vez mais raro entre nós jovens hoje em dia, a incrível capacidade de deixar-se admirar. Talvez devido ao ceticismo de nossos tempos, às tantas opções de entretenimento, aos avanços tecnológicos ou às rotinas estressantes, estamos perdendo a capacidade de simplesmente pararmos para olhar, e então nos admirarmos acerca de nosso Deus. Não contemplamos mais a sua criação, aliás, nos grandes centros, isso é bem difícil. Porém, também não paramos mais para refletirmos na grandeza de Deus, na eternidade, em sua sabedoria e poder e até em seu amor demonstrado em Cristo. Por isso a realidade da existência de Deus e de sua habitação em nós possui tão pouco impacto em nossas vidas, tornando nossa satisfação nele extremamente instável.

A verdade é que passamos boa parte de nossas vidas tentando construir reinados cheios de majestade (até nas igrejas), quando a majestade do único Rei nos leva a abandonar todas as pretensões egoístas, e a abraçarmos as coisas mais simples, que nos lembram do Deus que temos. O homem quando reconhece a grandeza de Deus, reconhece quem de fato é, e passa a viver em prol daquele que é realmente digno de majestade. O homem quando tenta ser Deus, esquece-se de quem é, e torna até mesmo sua maldade, relativa, a fim de construir seu império pessoal de conquistas e auto gratificação. 

Por isso, uma das maiores armadilhas que há para o cristão, é que este pare de se deixar impressionar por Deus. O brilho nos olhos dá lugar muito facilmente às trevas quando não há mais admiração por Deus.

Diante disso há algumas perguntas a serem feitas:
- Você se admira com seu Deus? Ou a crença nele tornou-se algo tão comum quanto as coisas rotineiras em seu cotidiano?
- Você vê a Deus nas pequenas coisas, naquelas mais comuns que acontecem em seu dia a dia? Sim, Deus também é Rei sobre elas.
- A realidade da existência de um Deus Criador, Todo-Poderoso, cheio de amor e misericórdia, e também de santidade e justiça exerce impacto em sua rotina ou este impacto é reservado para os momentos “sagrados” de seu dia (igreja, orações e etc). Tudo deve ser impactado por quem Deus é.

Assim, encerro com um desafio: Pare! Contemple seu Deus e deixe-se admirar por Ele! Sua vida será transformada dia após dia se você lutar por manter sua paixão e admiração pelo Senhor. Há uma frase que li em um artigo há algum tempo e é extremamente pertinente para nós:

“Não deixe que as coisas urgentes sufoquem as que são realmente importantes”

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[1] DAVIDSON, F. O novo comentário da Bíblia. Edições Vida Nova, 1963. 


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