Jovem Crente: E na igreja, inovar pra quê?

E na igreja, inovar pra quê?


Já estamos em 2016 há algum tempo. E como em todo inicio de ano, há projetos e sonhos a serem colocados em prática. É inevitável sonharmos, fazermos planos, imaginarmos como estaremos em possíveis situações no decorrer do ano. E, se você é líder de alguma área na igreja, ou está envolvido em alguma delas, também já sonha com o que será feito no decorrer do ano. Há sempre um desejo por inovação, mudanças, aprimoramento. Tal desejo é extremamente comum em ministérios que envolvam faixas etárias, como os trabalhos com jovens e adolescentes. As pessoas nessas faixas estão sempre buscando experiências novas e proporcioná-las nem sempre é uma tarefa fácil para os seus líderes. A grande questão é: deveríamos mesmo buscar proporcionar estas coisas? E se sim, como fazê-lo de forma bíblica? Responder a essas perguntas pode ser mais simples do que você imagina, mas colocar as respostas em prática pode tornar-se um desafio.

Vivemos em uma época em que o mundo nos surpreende a cada manhã. Praticamente todos os dias somos informados sobre alguma inovação tecnológica que realmente nos impressiona. O grande impulso de nossos tempos parece ser o desafio da superação. O homem busca reinventar-se e superar-se a si mesmo todos os dias. Não é à toa que os slogans de diversos produtos giram em torno dessa ambição, seja a operadora de celular que afirma: “você quer, você consegue!” ou a marca de artigos femininos que convida: “faça suas próprias regras!”; o mundo hoje gira em torno do que podemos conquistar, ou melhor, do que desejamos conquistar. A tecnologia tem sido produzida a fim de “auxiliar” o homem a sanar esse anseio. Quanto mais fácil, melhor; quanto mais prático, melhor – o que importa é que alcancemos nossas ambições, e a tecnologia nos auxilia nisso. Hoje, celulares fazem coisas absurdas, impensáveis há alguns anos atrás. A diversidade de aplicativos e de suas funções também impressiona. Não precisamos levantar-nos do sofá para resolvermos metade das coisas que precisamos fazer. Seja uma consulta ao banco, pedir uma pizza, consultar um dicionário, comprar um livro, existem aplicativos para praticamente tudo o que possamos imaginar.


Mas nós sempre vamos desejar mais, alcançar mais, facilitar o máximo possível os meios para que conquistemos o que desejamos. E um grande desafio para as igrejas de hoje tem sido conviver e interagir com essa mentalidade, que é evidente principalmente na juventude. Os jovens e adolescentes vão à igreja esperando também encontrar cada vez mais experiências, mais sensações, vendo na igreja uma outra forma de saciar sua ambição por mais. Porém, é aí que temos de lembrar de algo muito importante. Não estamos na igreja para receber, mas para dar. E é quando damos tudo o que somos ao Senhor, que recebemos dEle tudo o que precisamos para a nossa satisfação pessoal, a saber, sua plena habitação em nós.

Quando se trata de ministérios com jovens ou adolescentes, temos sempre de inovar sim; interagir com a mentalidade dessas pessoas com o fim de alcançá-las. Mas há um grande “porquê” por detrás disso tudo, há uma grande razão por trás de fazermos tudo o que fazemos e também há um objetivo. Não adotamos novos métodos ou formas simplesmente por serem legais ou atraentes.

Em um dos artigos que escrevi, falei sobre um teólogo alemão, Dietrich Bonhoeffer, que foi um dos propulsores da chamada Teologia Secular. Esse homem escreveu sobre como a igreja deveria portar-se em um mundo desenvolvido, maduro e aparentemente autossuficiente. Este foi um homem que propôs mudanças, buscou por inovação e suas ideias pareciam estar bem à frente de seu tempo. Apreciamos pessoas assim. Gostamos de líderes carismáticos que trazem novas ideias (não que Bonhoeffer tenha sido um líder carismático, pelo contrário). Gostamos daqueles que tentam inovar e, muitas vezes, cremos que a solução para ministérios com jovens que tem falhado são novas ideias. Mas é aí que, por muitas vezes, somos precipitados. Nesse ponto, precisamos aprender com estes homens, muitos deles jovens que, ao longo da história, souberam inovar e ter ministérios relevantes que contavam com a benção de Deus. O próprio Bonhoeffer nos leva a este denominador comum. Quem lê suas ideias logo se entusiasma, mas talvez sejam poucos os que saibam de seu segredo para uma mente tão produtiva. Como ele mesmo disse: “É certo, porém, que o trabalho teológico e a comunhão pastoral verdadeira crescem apenas na vida regida por períodos fixos de oração e por encontros (...) em torno da Palavra ”. Certo autor uma vez disse sobre ele: “para Bonhoeffer, a restauração da igreja somente aconteceria quando seus pastores tivessem aprendido como viver em comunhão com Deus e homens no compromisso comum do discipulado” .

Eis aí qual deve ser a nossa preocupação maior. Antes do que fazer e de como fazer, devemos estar preocupados com os nossos corações diante de Deus. Um líder pode até ser bom diante dos homens por aquilo que ele faz, mas se tudo o que ele fizer não for fruto de um coração sensível a Deus, então possivelmente, nada passou de frutos humanos. Certa vez, ouvi um pastor conhecido dizer que o nosso coração deve estar tão próximo de Deus ao ponto de que Ele compartilhe o Seu coração conosco, de forma que o que desejamos ou planejamos nada mais é do que o que Ele deseja e planeja fazer.

Quando olhamos para a geração de hoje, sentimos a pressão de oferecer à igreja algo que contemple sua ambição por algo a mais, mas temos que lembrar de que absolutamente nada do que fazemos na igreja deve ser centrado no homem, mas sim em Deus. Não são os nossos ministérios, são os ministérios dEle; não são os nossos planos, são os planos dEle. Não fazemos eventos e programações para agradarmos as pessoas, mas para agradarmos a Ele.

Por isso, em seus planos para a igreja no próximo ano, tenha a certeza de que antes de realizá-los, você tenha se colocado sinceramente diante de Deus buscando a orientação dEle para o que Ele deseja fazer. Lembre-se que você está lidando com as ovelhas dEle e isso é muito sério. Acredite, se nos colocamos diante dEle com corações sinceros, Ele nos dará as ideias que tanto buscamos, afinal, Ele é o maior interessado em alcançar mais pessoas e nutrir aqueles que já fazem parte da igreja. Saiba que talvez você terá de abrir mão de algumas coisas que provavelmente dariam certo, mas que são feitas com a motivação errada. Mas lembre-se, o sucesso nestes ministérios não é medido pelo número de pessoas ou por sua repercussão, mas por quanto Deus é glorificado na vida de cada um daqueles que participam. Nossa missão como líderes é sermos o meio que Deus usa para produzir pessoas cada vez mais parecidas com Cristo. Ele é o Centro de tudo.

Respondendo à pergunta “inovar para quê?”: não para termos um ministério conhecido ou que seja somente atraente, mas para facilitar o máximo possível o crescimento espiritual do maior número possível de pessoas conforme Deus deseja! Que Ele nos ajude nesse desafio.

Alguns versículos que nos ajudam a lembrar do que é essencial:

“Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29)
“Ao invés disso, deveriam dizer: "Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo” (Tg 4.15)
“Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31)
“Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai” (Cl 3.17)
“Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo.” (Cl 3.23,24)



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