Jovem Crente: Um processo para a Salvação

Um processo para a Salvação


Muitos no meio evangélico ainda confundem, de maneira perigosa, alguns termos cruciais para o entendimento da obra de Cristo na vida dos Seus. Esta má compreensão de alguns conceitos bíblicos acaba deixando muitos irmãos perplexos, com medo, e muitas vezes olhando para a obra do Filho de Deus de maneira equivocada. Para que entendamos o verso que diz: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fl 1.6) é importante compreendermos um pouco desta obra.


Aquilo que Cristo conquistou ao homem ao ser obediente até a morte pode ser entendido de maneira geral como salvação (A obra de Cristo na terra pode ser entendida como ativa e passiva. Ativa, pois Ele foi obediente em todos os preceitos da lei conquistando desta forma a vida eterna ao homem. Passiva, pois Ele sofreu na cruz as penalidades do pecado garantido assim a justificação aos que crêem.). A humanidade desobediente, repleta de pecado e culpa, estava perdida e sem esperança. O Filho de Deus ao encarnar como homem levou sobre si todo inscrito de dívida (Cl 2.14), que era registrado contra os Seus e os libertou da condenação garantindo para eles uma salvação eterna.

O processo que Deus começou em nós pode ser chamado de salvação. Uma obra que se inicia em nossas vidas quando Ele nos regenera (nos faz nascer de novo), nos convence do juízo e do pecado, e nos justifica. Quando despertamos da morte, graças à intervenção divina (Ef 2.4; Tt 3.5) nos arrependemos dos nossos pecados e nos entregamos totalmente a Cristo compreendendo que por si só jamais poderíamos ter vida. Este ato de fé nos permite ser declarados por Deus como justificados, não por qualquer coisa que tenhamos feito, mas porque desistimos de lutar para nos salvar e cremos que Cristo, através de sua obra na cruz, pagou nossa dívida para com Deus.

A justificação (que é o ato de Deus nos declarar sem mais dívidas) é a garantia de que jamais ninguém poderá nos acusar de nada e muito menos nos condenar, pois a obra de Cristo retirou completamente de sobre cada um de nós a culpa do pecado (Rm 8.33-34). A justificação faz parte do processo de salvação, mas jamais deve ser confundido com ele, pois salvação é todo o processo e justificação é o ato de Deus nos declarar justos.

Quando somos regenerados e cremos somos justificados. Este é o início do processo redentivo sobre nossa vida. A Salvação começou a ser realizada. A partir de então passamos a nos santificar, ou seja, abandonarmos nosso antigo estilo de vida para imitarmos a Cristo. O propósito disto não é a nossa justificação, mas nos tornar a imagem de Cristo, que é o exemplo maior de ser humano. Quando nos identificamos com Jesus em nossas atitudes destronamos o pecado de nossas vidas e centralizamos a Cristo. Nesta fase do processo de salvação estamos mortificando o pecado. O Espírito Santo, que passou a habitar em nós quando cremos, é quem nos auxilia de maneira fundamental neste processo. O pecado já não tem poder condenatório sobre nós, pois Cristo foi condenado por estes e se algum deles nos condenar é o mesmo que dizer a Cristo que Sua obra foi imperfeita. Portanto, a culpa do pecado foi paga e agora estamos matando o domínio do pecado.

Existe uma ordem bíblica para que desenvolvamos a nossa salvação (Fl 2.12). Esta ordem quer dizer que podemos colaborar. Esta colaboração nada tem a ver com a justificação, nem com a regeneração, pois estes são atos exclusivos de Deus em nós, mas tem a ver com a santificação, que é parte no processo salvífico. Jamais a bíblia nos manda desenvolver a justificação. Por isso, não confunda salvação com justificação.

Por fim, a obra que Cristo concluirá em nós é chamada de glorificação. Será quando o pecado for retirado de nós. Primeiro Deus tira a culpa, ou pena, e no fim tirará a presença do pecado. Neste dia jamais voltaremos a pecar, pois Deus nos tornará gloriosos. O fim do processo de salvação é o fim da nossa vontade e possibilidade de pecar.

O processo salvífico, portanto, tem um início, um meio e um fim. A justificação garante que este processo terminará na nossa vida. A glorificação é o nosso destino final, por isso, o processo ainda está em andamento. Fomos salvos da pena, estamos sendo salvos do poder e seremos salvos da presença do pecado. Cuidado com os termos para não se confundir sobre este tema tão importante para nossa paz espiritual.


Este artigo foi escrito por David Horta. Pastor de Adolescentes e Jovens na Igreja Presbiteriana Moriah em Americana-SP.
Bacharel em Comunicação Social pela PUC. Bacharel em Teologia pelo SBPV. Mestre em Teologia Sistemática pelo CPAJ.

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