Jovem Crente: Comparações (tirando os olhos da cruz e olhando para mim mesma)

Comparações (tirando os olhos da cruz e olhando para mim mesma)


Ao longo do último ano pude identificar uma armadilha sutil, mas capaz de um mal tremendo: comparar. Como é fácil tirar os olhos de Cristo, olhar para as pessoas, para aquilo que não temos, aquilo que não somos, ou para aquilo que os outros são ou tem, e querer ser diferente. Quantas vezes me peguei lamentando e insatisfeita com Deus por simplesmente não obedecer aquilo que Ele me ordena: manter meus olhos fixos nEle (Hb 12.2).

A comparação não é um pecado em si, mas é fruto de um pensamento pecaminoso ainda maior. Quem compara normalmente está insatisfeito em Deus, tem um coração ingrato e uma língua que murmura. Seu pensamento é egocêntrico, e muitas vezes vem acompanhado do desejo idólatra de ser respeitado, querido, estimado, reconhecido ou ter seus desejos satisfeitos. 


Um dos problemas é que é fácil camuflar a comparação. Porém, quando ela se acumula e enche o coração, se manifesta através de choro, tristeza, atitudes egoístas e fuga da realidade, entre outros. Pensamentos assim podem acontecer com maior frequência durante certo período do mês, na tão temida tensão pré-menstrual (TPM). Ficamos mais carentes na TPM. Cobramos mais dos outros (inclusive de Deus) na TPM. Entretanto, a TPM não é e nunca foi um motivo que nos permita manipular situações e pecar contra Ele. 

A comparação envolve escolhas erradas. Escolho alimentar pensamentos pecaminosos, mesmo sabendo que eles me levarão para mais longe de Deus. Escolho deixar de lado aquilo que Deus diz, as certezas presentes na Sua Palavra e racionalizo para tentar me esquivar da responsabilidade do meu pecado. Tento justifica-los para mim mesma. E a consequência disso é que sou envolvida ainda mais por esses pensamentos, deixo de dar frutos que agradam a Deus e me fecho no meu próprio mundo. Acabo me afastando de pessoas que amo, quero ficar sozinha, não quero falar nem com Deus. Perco as esperanças. Não acredito mais que Deus irá ouvir o meu clamor. Vejo-O muito mais como um Deus tirano, que faz isso por seu bel prazer. Mentiras assim se passam na minha mente e é horrível ter que colher as consequências das minhas escolhas erradas. 

A comparação revela pecados ainda maiores no coração de uma jovem. Ela não é um fruto isolado, mas faz parte de um processo que possui raízes profundas. No meu caso, comparo porque parto de um desejo idólatra de querer algo que não tenho e que os outros têm. Quero tanto isso, que começo a questionar a Deus a partir do momento em que Ele não atende o meu desejo. Deixo de perceber as boas dádivas dadas por Ele, e mergulho em um orgulho mascarado (autocomiseração). Comparo e consequentemente murmuro. São frutos perigosos, que contaminam a mente e representam clara desobediência ao que Deus diz em Sua Palavra. 

Idolatria 
A idolatria representa a raiz dos pecados do homem. Pecamos por pensar que entendemos mais sobre determinado assunto do que Deus. Tentamos assumir o lugar de Deus, como se alguma coisa nesse mundo dependesse de nós, e não de Deus. Jesus resumiu toda a Lei em uma única frase, cuja desobediência está baseada na idolatria (Mt 22.37). 

Questionar a Deus 
Quando nos colocamos no lugar de Deus, passamos a pensar que temos direito de saber os “por quês” dos acontecimentos de nossas vidas. Mas a realidade é que foi Deus que nos criou, e nós não podemos questioná-lO (Rm 8.20,21). Os juízos e caminhos do Senhor são insondáveis e inescrutáveis, e nunca ninguém foi Seu conselheiro ou conheceu a Sua mente (Rm 11.33-36). 

Ingratidão 
A partir do momento que não tenho aquilo que acho que Deus deveria me dar, deixo de perceber as dádivas que já recebi dEle. A gratidão envolve o reconhecimento de quem Deus é e daquilo que Ele fez por mim. Ela não é um sentimento, mas um estado do coração que não depende do momento que estamos vivendo. Devemos dar graças em todas as circunstâncias (1 Ts 5.18), inclusive nas mais difíceis provações (Tg 1.2-4), ou quando as nossas orações parecem não ser respondidas. 

Comparação 
Com um coração ingrato, é fácil sermos levadas a desviar os nossos olhos do Senhor o os colocar em coisas terrenas e passageiras. É quase como se estivéssemos concorrendo ou competindo com aqueles com quem nos comparamos. A Bíblia nos ensina que devemos levar os fardos uns dos outros, e examinar os nossos próprios atos, SEM se comparar com ninguém (Gl 6.1-5 - NVI). É necessário que o cristão entregue os seus desejos a Deus, para que Ele os satisfaça se for da Sua vontade, no devido tempo e através Seus devidos meios. 

Murmuração
A boca fala do que o coração está cheio (Lc 6.45). A murmuração é o resultado de um caráter ingrato e descontente. Nós murmuramos porque não acreditamos que Deus nos dá tudo o que precisamos. Queremos mais e murmuramos contra Deus (Nm 14.27). 

Como você pode ver, comparar-se com outros pode ser parte de um coração cheio de si e que, portanto, está longe de Deus. Você consegue identificar algum processo semelhante por trás das suas comparações? 

É preciso mudar. É preciso lutar. Não podemos viver em conformidade com esse pecado. Apesar de ser um longo processo de mudança, precisamos lembrar que não estamos sozinhas, e que a cada dia temos escolhas a fazer. Vou escolher continuar na armadilha dos meus pensamentos, ou obedecer ao que a Palavra diz? Eu conheço o que a Bíblia diz sobre os meus pecados? Estou tratando-os de forma consistente, ou nem sou mais capaz de lembrar a última vez que pedi perdão por ter ofendido a Deus com minhas escolhas? 

Relembrar quem Deus é, o que Ele fez por nós, e o que Ele ordena em Sua Palavra faz diferença. O pecado é algo direcionado diretamente contra Ele, um Deus Santo, Santo, Santo (Is 6.2,3). E a única solução para o meu coração egoísta é a cruz de Cristo. Que Ele nos ajude a cultivar o desejo de aprendermos a nos deleitar nEle (Sl 37.5). 

“Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração.” Sl 40.8

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