Jovem Crente: Procrastinar, Procrastinando, Procrastinado!

Procrastinar, Procrastinando, Procrastinado!

Cá estou eu, a poucas horas do prazo final (que foi estendido, diga-se de passagem) de entrega desse artigo, sentada na sala de estudos do seminário escrevendo sobre (merece estar escrito em letras maiúsculas esta parte, preste atenção) PROCRASTINAÇÃO, o ato de adiar temporariamente algo que não se tem vontade de fazer. Irônico? Triste talvez? Engraçado? Divertido?
Tantas palavras se encaixariam para descrever esse momento, mas na verdade acho a ilustração boa para começar o meu artigo, por isso procrastinei tanto este trabalho. Bom, esta foi uma das várias desculpas que eu poderia dar para me justificar diante dessa lamentável situação em que me encontro. Poderia dizer também que é difícil para mim, estando em um Seminário com uma rotina tão intensa organizar bem meus horários, a fim de entregar tudo com antecedência. E ainda: eu sou brasileira, você sabe, damos aquele jeitinho e tudo dá certo no final. Ou quem sabe esta: eu sei que consigo escrever em alguns minutos esse artigo, pra que me planejar para duas horas, sendo que em quarenta minutos ele estará pronto? Essa última desculpa é frequente em minha cabeça e de uma forma assustadora.
Mas nem sempre foi assustador pensar nas minhas justificativas para a minha falta de planejamento quanto ao uso do meu tempo, na verdade, para mim sempre foi muito confortável fazer tudo como fazia, às pressas, virando noites, para conseguir cumprir os prazos, dormindo durante as tardes que deveriam ser para estudo ou gastando meu tempo com coisas inúteis como assistir televisão e navegar na internet, buscando coisas das quais eu definitivamente não precisava. Foi só quando me propus a avaliar seriamente e à luz das Escrituras a minha procrastinação que percebi que as suas raízes estavam profundamente fincadas em conceitos errados e distorcidos acerca de mim e do propósito de Deus para a minha vida. Exatamente, “o meu jeitinho brasileiro” de lidar com as minhas tarefas e obrigações é apenas a ponta do iceberg de tudo o que precisa ainda ser transformado na minha vida para que eu cresça à semelhança de Jesus Cristo. Alguns dos pecados que são a base desse iceberg estão na minha lista de futuros estudos e artigos, mas por enquanto gostaria de tratar apenas alguns fatos a respeito da procrastinação que tenho observado em mim.


Pra que me organizar? Eu sou capaz de fazer tudo sem uma agenda
Foi difícil para eu reconhecer as raízes da minha procrastinação e só o fato de ser difícil aceitar que todos aqueles pecados eram o combustível para as minhas atitudes já destaca o que mais me inquieta: o orgulho. O orgulhoso se gaba de seus feitos, da sua capacidade, da sua inteligência, da sua agilidade, ele não precisa de ajuda, de ninguém, nem mesmo de Deus. Bom, essa sou eu, uma orgulhosa, e meu orgulho me faz achar que, embora outros precisem se programar, se organizar, anotar em agendas suas tarefas e compromissos, eu sou capaz de cumprir todos os meus afazeres sem o auxílio de nada disso, afinal, eu tenho uma memória privilegiada, e uma capacidade de raciocínio acima do comum.
Como foi triste me deparar com as verdades bíblicas a cerca dos orgulhosos, com certeza um coração soberbo não agrada a Deus, pelo contrário, esse coração está sempre negando a Deus ao tentar resolver tudo com as suas próprias mãos, com suas próprias forças e nunca está atento para reconhecer o auxílio divino em meio às dificuldades, ele toma para si a glória de suas realizações, quando na verdade, sozinho ele nada pode fazer.
Olha o que Paulo nos diz em Romanos 12.16:
“Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos.”
Exatamente o contrário de tudo o que acontece no meu coração e na minha mente a cada dia. Em Provérbios 8.13 vemos que aqueles que temem ao Senhor aborrecem a soberba, em Salmos o Senhor nos diz que o perverso em sua soberba cogita a inexistência de Deus. Como isso é terrível e como passa despercebido aos nossos olhos, o orgulho nos afasta de Deus porque em nossos corações afirmamos que não precisamos dele e demonstramos isso em atitudes simples como utilizar de forma irresponsável o meu tempo, sem admitir que é preciso me programar para fazer com excelência as minhas tarefas. Há tantos outros textos que condenam o orgulho e a soberba, o livro de Provérbios está cheio deles, cada um apontando para mim, para o meu coração.

E onde fica Deus na bagunça dos meus horários?
E se eu consigo sobreviver a todas as minhas atividades e todos os prazos ainda que sem uma agenda, bilhetinhos, listinhas ou tabelinhas para me auxiliarem? Bom, uma coisa é fato, toda a procrastinação vai culminar em alguma área da sua vida e é bem provável que os prejuízos recaiam sobre o relacionamento com nosso Deus. A procrastinação revela, além do orgulho, a falta de prioridades claras em nossa vida e isso com certeza é um problema. Não tente ignorar essa necessidade de se afirmar todos os dias quais são as suas prioridades. Para que fomos criados por Deus? Para glorificarmos o seu nome através das nossas vidas, para desenvolvermos um relacionamento profundo e íntimo com ele e para proclamar seu evangelho. Cumprir o propósito de Deus para a nossa vida, essa deve ser a nossa prioridade, Deus tem que ser a nossa prioridade. Mas durante o meu estudo, uma verdade me saltou aos olhos e atingiu em cheio o meu coração: “O ritmo acelerado e as pressões da urgência em nossas vidas recebem seus impostos minando a energia necessária para a oração.” (Charles Hummel p.133) O meu relacionamento com Deus estava sendo prejudicado pelas minhas horas mal gastas, pelas noites mal dormidas correndo atrás dos prazos, pelas manhãs corridas ao descobrir que acordei 20 minutos atrasadas, pelas tardes gastas com coisas tão fúteis e supérfluas. As minhas energias eram consumidas por tudo aquilo que estava para ser feito e pelas coisas que eu inventava como desculpas para não fazer o que devia ser feito.
Tudo isso mostra como eu tenho usado palavras em vão ao cantar e até mesmo dizer às pessoas que Deus é o motivo da minha vida, que eu o amo e vivo por ele. O texto de Mateus 6.33 é bem claro, Jesus diz para buscarmos primeiramente as coisas do reino, vivermos em função do reino de Deus e Deus proverá aquilo que me é necessário. Um pouco antes há uma verdade inquietante e constrangedora para mim “porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mateus 6.21), Jesus estava falando sobre procurarmos tesouros nos céus, tesouros eternos e não em coisas perecíveis que um dia se acabarão, para que os nossos corações anseiem pela eternidade e não por adquirir bens aqui na terra. Nós que temos o presente da vida eterna “temos que viver um dia de cada vez, mas lembrar que neste um dia estamos vivendo para a eternidade”. (Charles Hummel) Quando eu percebo que nem sequer 15 minutos do meu dia foram gastos em oração, chego à triste, mas verdadeira conclusão: Deus não tem sido a minha prioridade, Deus não tem sido o centro da minha vida todos os dias e Deus não quer a minha vida por partes, Ele a merece inteira, cada hora, cada minuto dela, vividos para Ele. Ele, que deu seu filho por amor a mim, para que eu fosse liberta da escravidão do pecado e um dia pudesse viver com Ele eternamente, muitas vezes tem sido colocado de lado, trocado por coisas tão banais, terrenas que um dia se acabarão, anseios e desejos da minha carne.

Cavando mais fundo
A procrastinação é apenas a ponta do iceberg, e é preciso perseverança para se chegar às camadas mais profundas (e esse ainda é um objetivo a ser perseguido em minha vida, detectar tudo que está submerso) e é preciso estar certo de que essa avaliação inevitavelmente vai exigir mudanças, transformações radicais para que o caráter de Cristo seja aperfeiçoado em nós, para a glória do seu nome. É difícil chegar ao final desse artigo sabendo que, graças ao constante adiamento do seu início, eu não conseguirei entregá-lo dentro do prazo estabelecido e, então, o desânimo, a frustração e o remorso começam a bater em meu coração, um misto de fracasso e desapontamento surge e o que posso fazer é orar e pedir a Deus que Ele me ajude para que tudo isso que eu aprendi deixe de ser conhecimento morto, mas que chegue ao meu coração e que crie raízes lá para que as minhas atitudes reflitam agora um coração humilde que reconhece a sua fraqueza e um coração onde Deus realmente reina. Pai, não quero mais viver pra mim mesma, nem para meus próprios desejos e vontades, mas para a tua glória. Você merece o meu coração por inteiro e não em partes, merece o meu tempo por inteiro. Que tudo que eu faça seja visando o aprofundamento do meu relacionamento contigo e o aperfeiçoamento do meu caráter para que eu me pareça cada dia mais com o teu filho Jesus. Quero te mostrar o meu amor também quando eu organizar as tarefas mais simples do meu dia, para que nada venha ocupar o lugar que é teu no meu coração, para que nada roube o tempo e a energia que eu preciso dedicar ao estudo da tua Palavra e à oração. Preciso da tua ajuda Pai, sozinha não posso fazer nada.


Este artigo foi escrito por Gabriela Figueira Poletto como parte da matéria de Ética para moças do Curso de Liderança e Discipulado. Gabriela é membro da Igreja Presbiteriana de Primavera do Leste, MT.

6 comentários:

  1. Eu sempre leio, mas nunca comento. Hoje eu precisei comentar..esse artigo (infelizmente) descreveu tudo o q acontece comigo! E (felizmente) me fez parar para pensar...
    Parabéns Robertinho, mto bom o blog!

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  2. olá,quero parabenizar o trabalho que vcs tem feito aqui, é um ótimo blog, e gostaria de saber se é possível me enviar o material dos livros devocionais o ''Descobertas'' para alunos por email, é colly.y@hotmail.com , o livro 1,2 e 3 , estou muito interessada , é para mim mesmo, achei uma ótima forma de aprender mais da palavra. Obrigado desde já,e fiquem com Deus .

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  3. Me identifiquei completamente com o artigo. Agradeço a Deus pela oportunidade de lê-lo e assim refletir acerca de minha própria condição, não somente psíquica, mas principalmente espiritual. Abraço e Deus abençoe vocês!

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  4. Muito bom... Deus nos abençoe para que possamos mudar.

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  5. Muito obrigada pelo artigo, Gabriela! Procrastinação quase sempre foi um problema para mim, e agora encaro que preciso mudar imediatamente. Percebo já há um tempo o que foi descrito no post: minhas energias e tempo sendo gastos de forma irresponsável e com supérfluos, enquanto poderia estar me dedicando a Cristo, ou fazendo tarefas mais importantes para a glória dEle. Deus nos livre de continuarmos com essa desconfiança, ansiedade e procrastinação!
    Obrigada pelo artigo e pelo blog, parabéns a todos. Deus os abençoe.

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